13. Remédios... e remédios


O organismo possui recursos próprios para afastar
o que o ameaça. São a febre, o suor, a tosse, o espirro,
a lágrima, o grito, o riso... Outros mais sutis: a 
vontade, a concentração, o relaxamento...




Entre os diversos perigos para os microrganismos que colonizam nosso corpo, o maior está no uso exagerado de medicamentos químicos. Quando eu falava sobre isso na década de 80, ninguém achava isso preocupante, mesmo já tendo muita literatura a respeito. Hoje a população mundial está despertando para isso.

Embora muitas vezes prescritos com grande propriedade, não se pode abusar deles, pois deixam resíduos e sobrecarregam o sangue. Todos os remédios químicos contêm em sua bula contraindicações que apontam possíveis efeitos colaterais.

Muitos medicamentos também contribuem para enfraquecer a produção de anticorpos. Os antibióticos, por exemplo, encarregam-se de ceifar as vidas dos micróbios invasores, mas também exterminam os benignos e deixam o organismo suscetível a novos ataques, dentro de algum tempo, se as defesas orgânicas não forem fortalecidas.

Já disse que considero a medicina oficial capaz de salvar vidas e fazer milagres, como permitir a sobrevivência de um feto de 600 g, mas acredito que o uso de remédios químicos deveria ser restrito a casos de real necessidade, por exemplo
  • quando não há tempo para se procurar outra saída
  • quando o organismo não consegue ter reação a um tratamento menos agressivo
  • quando o paciente o exigir, pois a no tratamento é fundamental e pode levar a desfechos inesperados, embora eu, pessoalmente, não faça muita nisso... rs
Por outro lado, naturalistas fanáticos precisam entender que, quando não há uma resposta adequada do organismo, nenhum tratamento natural, homeopático, antroposófico etc., será bem sucedido. Se as defesas orgânicas não forem suficientes para provocar uma reação positiva, é inútil ou até cruel insistir no tratamento natural, pois a medicação química poderia, eventualmente, prolongar a vida ou diminuir o sofrimento de alguém.

No entanto, quando se trata de pessoas jovens ou com muita vitalidade, é uma pena recorrer ao remédio químico em primeira instância. Dói-me o coração ver crianças intoxicadas de medicamentos, não apenas por isso, mas pelo simples fato de que o seu uso é antipedagógico para a saúde. Além ser ser paliativo, o remédio pode criar uma situação de dependência, ele se torna muleta.

Crianças pequenas que recebem fortes doses de medicamentos químicos sem necessidades têm as defesas orgânicas enfraquecidas e a saúde fica sem referências.

O organismo possui recursos próprios para afastar o que o ameaça. São estratégias que fortalecem o sistema imunológico e todas as defesas: a febre, o suor, a tosse, o espirro, a lágrima, o grito, o pranto, o riso... E outras mais sutis: a vontade, a concentração, o relaxamento...

Sobrepor a esses elementos curativos outros artificiais pode enfraquecer as defesas e convidar o organismo a dispensar seus próprios recursos, ou seja, estimular a preguiça.

Lembro-me com tristeza de uma menina de uns cinco anos, magrinha e sem vitalidade, com os dentes já estragados pelo excesso de antibióticos. E de outra, adolescente, obesa e submetida a um rigoroso regime de emagrecimento acompanhado de remédios. Ambas apagadas, sem energia para viver plenamente sua infância e adolescência.

Quanto à dependência, também questiono a homeopatia, embora seus medicamentos não sejam tóxicos e paliativos, pois atingem o nível de energia e não a matéria mais densa do organismo. Conheci médicos homeopatas sem a preocupação de buscar as causas mais profundas dos distúrbios e entendo que se o tratamento ficar apenas nisso - tomar remédios e melhorar temporariamente - dentro de algum tempo haverá outra alteração da saúde, que poderá se manifestar de forma diferente. Sem modificação dos hábitos e atitudes que provocam os vários sintomas, não há cura, apenas adiamento.

Por falar em homeopatia, desenvolvi uma teoria que já deixou muita gente de cabelo em pé, mas até hoje me convenço disso: acredito que Samuel Hahnemann*, o fundador da homeopatia e na minha opinião um dos maiores gênios da humanidade, não teve tempo hábil para pesquisar as causas profundas das doenças. Dizia ele no Organon da Arte de Curar que o médico não devia se preocupar com as causas, mas com os sintomas das doenças, que são palpáveis, reais e podem ser cientificamente pesquisados. Na minha opinião, essa atitude era uma espécie de resposta aos médicos da época, que se limitavam a filosofar sobre as possíveis causas das doenças, enquanto massacravam seus pacientes com sangrias, sanguessugas, purgativos, vomitórios e outros instrumentos de tortura. Quando o paciente morria, atribuíam o falecimento aos desígnios de Deus, pois sua filosofia não passava disso...

A preguiça mental dos médicos da época não lhes permitia sequer perceber como eram contraproducentes os tratamentos que usavam, embora em certos casos a retirada de um pouco de sangue do organismo seja útil e o vômito seja um recurso do próprio organismo para eliminar toxinas. Mas no século XVIII o exagero desse tipo de recursos era absurdo, e a elucubração sobre as causas das doenças girava em círculos. No afã de fazer uma crítica construtiva à atitude dos seus colegas contemporâneos e movido por grande espírito científico, Hahnemann rejeitava filosofagens sobre as causas das doenças e concentrava-se no estudo dos sintomas, que o ocupou até o fim da vida. O resultado foi essa ciência maravilhosa que é a homeopatia, de grande profundidade, pois a atuação de seus medicamentos extrapola o campo físico mais denso e restabelece o equilíbrio energético do organismo... desde que a medicação seja apropriada, já que a homeopatia é uma arte.

Então ainda sinto falta de uma maior filosofia de saúde nessa Arte de Curar que é a homeopatia, embora muitos dos seus adeptos reconheçam hoje a necessidade de se aliar ao tratamento uma alimentação integral, exercícios físicos, massagens e outros tratamentos que restabelecem a saúde.

Parabéns ao médico - seja qual for sua especialização - que reserva metade do tempo da consulta para investigar os hábitos e atitudes do paciente, trocando ideias com ele e procurando entender seus pontos de vista!

Parabéns também ao paciente que não se submete cegamente às ordens médicas, procurando tornar-se sujeito da situação e desenvolver concentração, vontade e equilíbrio para cultivar a própria saúde!


* Samuel Hahnemann - ORGANON DA ARTE DE CURAR (há outras citações a respeito do grande Hahnemann e da homeopatia, em outros capítulos.)


(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)

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