12. O caminho da saúde



A saúde não é um estado inerte 
caracterizado pela ausência de sintomas, mas
uma conquista pessoal e gradual


Bom, você já entendeu que eu tenho uma mente, por assim dizer, delirante... rs 

Às vezes me aparecem como que peças de um quebra-cabeça, que levam tempo para completar uma imagem nítida. Um belo dia começou a se esboçar uma espécie de alegoria da saúde, agora clara para mim. É a imagem de um caminho longo, no início tortuoso e cheio de obstáculos, passando por becos escuros e aparentemente sem saída, fechados por muros altos. Eu vi vários vultos enveredarem por esse caminho. Alguns andavam com grande dificuldade, levavam tombos, machucavam-se seriamente e não puderam mais prosseguir, limitando-se a perambular sempre pelo mesmo trecho. 

Outras figuras também levavam tombos e escoriações no começo, mas aos poucos ganhavam agilidade e confiança, à medida que superavam os obstáculos. Após conseguirem passar pelos trechos mais difíceis, o caminho ia se tornando cada vez mais agradável, não sem percalços, mas bonito, ensolarado, verdejante. 

Esse caminho é a imagem da saúde como um bem a ser conquistado e cultivado. Ninguém tem condições de afirmar se um recém nascido está realmente com boa saúde. Aparentemente, tudo pode estar nos devidos lugares, mas são necessários observação e cuidados para perceber se a criança tem mesmo boa vitalidade, se o sono é tranquilo e reparador, se o alimento é adequado, se as vias de saída estão funcionando a contento etc. Afinal, trata-se apenas do começo de uma longa estrada... A adaptação à vida nem sempre é fácil. Também é preciso bom senso para entender e aceitar as formas que o organismo escolhe para suportar as agruras do caminho. 

Um resfriado, por exemplo, pode ser um fenômeno saudável, mas muitas vezes é suprimido logo ao primeiro espirro. Ele pode ser um alerta sobre a poluição ambiental. Desde que o nariz escorra livremente, sem congestionamentos que causem falta de ar ou impeçam o sono, trata-se de uma útil experiência para o organismo, que poderá aprender a livrar-se do muco e dos germes oportunistas que se aproveitam da situação, já que se alimentam dos resíduos eliminados através das vias respiratórias.

Muitas vezes, o congestionamento é provocado ou fomentado pelo excesso de alimentos formadores de mucos, como cereais refinados, açúcar, leite de vaca ou laticínios etc. Hoje, muito mais do que na década de 80, quando iniciei minhas pesquisas, há o consenso de que um resfriado deve ser tratado com frutas, hortaliças e vitaminas sem leite, evitando alimentação muito sólida, principalmente massas, doces, frios e laticínios. 

Um resfriado tratado desde o início com regime alimentar adequado, dificilmente evolui para uma situação crítica, a não ser que as causas sejam muito mais profundas do que uma simples eliminação de toxinas. Neste último caso, o sintoma seria apenas o primeiro de uma série de transtornos que indicam a necessidade de uma desintoxicação do organismo. Por via das dúvidas, nada melhor do que evitar alimentos produtores de muco.

Toda vez que o organismo vence um desequilíbrio, seja um simples resfriado, um desarranjo intestinal ou outro, ele ganha uma batalha na luta pela saúde e aprende a se defender de ataques externos ou internos. Isto faz parte da educação para a saúde, que precisa ser dada também aos anticorpos. As defesas orgânicas também se fortalecem com novas experiências e podem assim proteger o corpo com mais eficiência e autonomia. Se porém, no começo de qualquer distúrbio, oferecermos ao doente algum tipo de muleta, como medicamentos químicos ou injeções, que combatem de frente os sintomas, as defesas ficarão desorientadas e, ao ocorrer um novo desequilíbrio, provavelmente o organismo ficará inerte, no aguardo de nova muleta

E agora vai uma historinha pessoal. Quando Melina nasceu, eu ainda não havia compreendido esse mecanismo e mergulhei em dúvidas. Iara já estava com quatro anos, André com dois e até então nada estranho havia ocorrido em seu caminho da saúde, eu me sentia bastante segura em relação a eles. Melina, porém, nasceu praticamente resfriada, sem motivo aparente, a não ser quando o bercinho elétrico da clínica onde nasceu ficou superaquecido. Por sorte eu não estava dormindo naquela hora e consegui tirá-la de lá a tempo... Ela já estava empapada de suor, mas não acredito que esse fato tenha sido a causa do problema, quando muito, um agravante.

Melina tinha vindo à luz de forma muito tranquila, de parto natural, sem dar um pio, só mamava e dormia. E o nariz escorrendo... Comecei a desconfiar que fosse uma criança delicada e que pudesse vir a ter uma rinite crônica. Relutei em levá-la a um médico. Com certeza, nenhum se conformaria com o longo resfriado e daria algum jeito de modificar a situação. A partir daí, eu perderia totalmente o controle: o sintoma conhecido e familiar desapareceria, e depois?...

Antes que eu resolvesse tomar alguma providência, veio uma intuição diferente, dessa vez em forma de tranquilidade interior. Enquanto estava matutando sobre a questão, peguei Melina no colo, olhei sua fisionomia tão pacífica e comecei a me acalmar. Aí me ocorreu: Olha como ela está bem! Esse resfriado é uma pequena alergia. Ela está se adaptando a um novo meio e procura eliminar o que a prejudica. E está conseguindo!

Nessa hora, ficou claro para mim que eu deveria procurar manter suas vias respiratórias sempre limpas, para não dificultar a eliminação do muco, ao mesmo tempo diminuindo a quantidade de germes com os quais ela entraria em contato. Nunca lhe ofereci mamadeiras e chupetas, que não havia negado aos meus outros filhos. Melina começou a tomar leite direto do seio para a colherinha e depois para a xícara. Quanto a chupar, contentou-se com os dedinhos, que eu limpava com frequência. O leite que ela tomava era de amêndoas doces ou de aveia, que eu fazia em casa, batido no liquidificador e espremido em um pano. Muito mais nutritivo e digestivo que o de vaca, ideal para bezerro.

Lá pelo terceiro mês, o nariz parou de escorrer e só voltou a fazê-lo no início da dentição, como é comum e saudável. Quem sabe, se eu tivesse tentado suprimir seu resfriado inicial, talvez sua primeira etapa no caminho da saúde teria sido marcada por uma derrota. A intuição me alertou que eu não tinha o direito de interferir num processo natural de cura, de eliminação de toxinas, de aprendizado para o sistema imunológico. Esse processo não ofereceu perigo algum, já que o nariz escorria sem impedimentos e não havia outros sintomas em paralelo.

Outro assunto que me intrigava, quando comecei estas pesquisas, é a hereditariedade, à qual se atribui a origem de muitos males que a ciência não explica.

Me ocorreu uma analogia entre a herança patrimonial e a genética. Se a hereditariedade fosse determinante, todas as pessoas que nascem em berço esplêndido conservariam seu patrimônio. Já os que nascem pobres não teriam condições de conquistar a independência econômica, ou até de enriquecer. Na realidade, a herança é uma plataforma, um ponto de partida que não garante em absoluto o futuro do herdeiro.

Por que seria diferente com a herança genética?... Além disso, quem poderia determinar exatamente os antecedentes genéticos de alguém, nesta ciência ainda tão recente? Já lhe passou pela cabeça que a linhagem de cada um de nós remonta à... infância da Humanidade?

Sem poder ter acesso ao histórico completo que compõe nossa herança genética, vale a pena se basear naquilo que nos é conhecido: nosso ponto atual de partida, de onde podemos construir a saúde - ou comprometê-la.

Nos primeiros anos de vida, o organismo costuma apresentar características que podem apontar pontos fracos. Com alguma observação é possível aprender a reconhecer o grau de saúde herdado e compensar eventuais deficiências.

Quando Iara começou a andar, com um ano e alguns meses, seu pé direito pisava acentuadamente para dentro. Conversei com alguns médicos e eles acharam que eu não deveria fazer nada, por enquanto, apenas deixar a menina andar descalça sobre areia e pedrinhas. Por outro lado, seu pai apresentava essa mesma postura, embora menos acentuada, apesar de ter usado, quando criança, odiosas botinhas durante anos. Isso me sugeriu que se tratasse de um fator hereditário.

Achei que não deveria esperar, procurei encontrar uma forma de solucionar aquele que me parecia uma dificuldade inata de o organismo se estruturar e expandir plenamente. A medicina oriental entende que a postura influencia a manutenção da saúde e pode revelar desequilíbrios orgânicos.

Comecei a pesquisar a iridologia, uma ciência moderna com raízes que se perdem no tempo. Ela mapeia todo o organismo a partir da íris e é hoje muito utilizada para diagnósticos acoplados a tratamentos orientais, como acupuntura ou shiatsu. Procurei um iridologista e tive a sorte de encontrar o meu, para sempre, amigo Hernando. Na época, eu estava desencantada com a medicina em geral e deixei claro para ele que estava ali apenas para receber uma orientação. Disse também que não confiaria a ninguém a responsabilidade sobre a saúde da minha filha. Na mesma hora quis morder a língua, arrependida de tanta indelicadeza, mas Hernando me surpreendeu. Ele ficou entusiasmado com meu modo de pensar e me incentivou a continuar independente. Acho que foi naquela época que comecei a me considerar uma im-paciente... rs

Hernando examinou a íris de Iara e apurou que seu organismo tinha dificuldades na assimilação do cálcio e de alguns outros sais minerais, então lhe prescreveu os minerais de que ela tinha carência em doses homeopáticas - os famosos Sais de Schuessler - e me ensinou a fazer-lhe uma massagem nas pernas e pés, a fim de reativar a circulação de energia naquela região. Assim, Iara completou os dois anos com os pés bem alinhados.

A iridologia é uma ciência que há trinta anos ainda era considerada charlatanismo, mas hoje é levada muito a sério em todo o mundo. Seu diagnóstico indica as tendências hereditárias e a força de sua latência, a resistência do sistema imunológico, o nível de toxidade do sangue e o grau de desequilíbrio da saúde, como um todo.


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