A criança possui uma sensibilidade que a alerta
sobre certos perigos para a saúde e muitas vezes o
adulto impede que ela aja conforme esse feeling.
Peço perdão por escorregar novamente no quintal da filosofia, mas me ocorreu que, além da inteligência, podemos contar com outra arma para a preservação da vida e da saúde. É a intuição, que gosto de imaginar como o desabrochar dos instintos para uma forma mais abrangente e apurada de sentir.
Quando eu tinha a impressão de ser de outro planeta, não compreendia que sou apenas uma pessoa mais intuitiva que racional, em um mundo onde a inteligência tem sem dúvida maior prestígio e poder.
A intuição manifesta-se em mim de várias maneiras, às vezes em forma de clarões que me indicam e abrem caminhos, ou me desviam de outros. Quando a intuição é fraca, gosto de arriscar e pagar para ver. Quando porém aparece um clarão, não me atrevo a enveredar por outro caminho, e nunca me arrependi. Como explicar? Ainda não compreendo esse mecanismo, mas nunca fico numa atitude mental passiva após receber uma intuição. Pego o novelo e procuro destrinchá-lo até obter, no mínimo, uma explicação plausível. Tais conjecturas são um bom exercício para a minha pouca inteligência e dificilmente esclarecem muita coisa, entretanto não abro mão delas, pois me ajudam a tornar-me um pouco mais consciente dos meus atos.
Acredito que a inteligência e a intuição precisam uma da outra para se desenvolver, se é que podemos separá-las nitidamente. No meu caso, sinto esse fenômeno como se eu tivesse um receptor/transmissor aberto a possíveis sintonias e a intuição seria uma forma de selecionar as faixas. E não abro mão de acionar a inteligência para refletir sobre a situação, mesmo ficando com dúvidas.
O Penso, logo existo do mestre Décartes não nos foi explicado direito... No original do Discurso do Método, escrito em francês, a frase completa diz: Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe. Traduzido ao pé da letra seria: Já que duvido, eu penso; já que penso, eu existo. Pessoalmente, sinto-me muito bem na condição de ser que duvida de quase tudo... rs E com isso me dou o direito de também refletir sobre quase tudo.
Antes de decidir se daria ou não vacinas aos meus filhos, havia lido tudo o que podia a respeito e conversado com várias pessoas que se consideravam donas da verdade. Minha cabeça estava um caos. Informações divergentes se avolumavam, palpites e mais palpites confundiam-me cada vez mais, a maioria na contramão do que eu pensava. A intuição definitiva, forte e inquestionável apareceu numa situação no mínimo bizarra. Conversando com um homeopata, ele tentava me convencer a dar a Iara, então com quatro meses de idade, pelo menos as principais vacinas, que na época eram a antipólio, a antidiftérica e a antitetânica. Argumentei com ele que estava em dúvida, pois eu mesma, em criança, tivera difteria em forma grave, duas vezes, apesar - ou graças?... - à vacina que havia tomado. O médico rebateu que a qualidade das vacinas havia melhorado muito e que além disso... blá blá...
De repente, parei de escutar o que ele estava dizendo. Fez-se o mais absoluto silêncio em minha mente e acendeu-se uma luz que me mostrava unicamente o nariz daquele homem, um nariz grande e muito avermelhado. A cor daquele nariz causou-me uma estranha sensação que produziu este pensamento:
Esse homem pode ser um profissional competente ao lidar com a doença, mas pouco entende de saúde e ele próprio está doente.
Naquela hora, a ideia de dar a meus filhos as vacinas de praxe me pareceu perigosa e assim optei pela omissão, segundo os ensinamentos de Lezaeta*, que considera as vacinas capazes de contaminar sangue limpo. Ele afirma que, se o sangue for impuro, a vacina é uma forma de tapar o sol com a peneira, pois ela muda as regras do jogo, ou seja: se o organismo estiver saturado de toxinas, poderá se evitar um sarampo, mas em seu lugar surgirá uma virose ou outra doença - a curto ou médio prazo. Além disso, o acúmulo de vacinas concentra no organismo uma avalanche de toxinas cujas consequências ainda não foram suficientemente pesquisadas. Se pensarmos na quantidade e variedade de vacinas que as crianças recebem de algumas décadas para cá, verificamos que a possibilidade de manifestação das doenças ditas infantis ficou muito limitada. Não poderia ser este um dos motivos pelos quais estão surgindo tantos vírus desconhecidos? Pausa para reflexão...
Uma história interessante: quando André, meu filho do meio, completou 14 anos, houve uma vacinação em massa contra o sarampo, com a mobilização de todas as escolas, que se incumbiram de contatar as famílias dos alunos. André sentiu-se envergonhado de revelar aos colegas de classe que nunca havia tomado vacinas. Nessa idade, ninguém quer ser diferente, não é? rs Então ele me comunicou que iria tomar aquela vacina e PONTO FINAL. Não me opus, aliás já estava na hora de ele começar a tomar suas próprias decisões.
Umas semanas depois ele caiu de cama com um daqueles febrões que lhe eram típicos na primeira infância, mas que depois haviam sumido. Ficou três dias de molho, mas levantou muito diferente daquele André pequeno, que saia das gripes mais forte, alegre e cheio de energia. Desceu da cama fraquinho, sem apetite, com tonturas. Pela primeira vez em sua vida - salvo quando torceu braços e pernas, bateu a cabeça, caiu da bicicleta, do telhado etc. etc. (sim, ele teve infância! rs) - levei-o ao pronto socorro apenas para avaliar a saúde e o médico disse que se tratava de uma virose comum na época, recomendou repouso e boa alimentação. Dez dias depois André voltou ao seu normal, que era jogar bola, cantarolar como uma gralha e provocar as irmãs. Ele me revelou então uma suspeita que lhe havia passado pela cabeça, olha só: teria sido aquele mal-estar, tão diferente de tudo que já tinha experimentado, uma consequência da primeira vacina que havia tomado na vida?
Olha, nem eu mesma poderia ter pensado melhor! Na verdade essa ideia não tinha me ocorrido, eu havia atribuído a virose a um transtorno próprio da adolescência, quando o organismo passa por transformações radicais - hormonais, emocionais, psicológicas... Também não havia dado importância à vacina, pois pensava que o organismo do meu filho já estaria forte o suficiente para se defender de uma eventual reação. Foi muito, muito interessante que ele próprio tenha associado a virose à vacina...
Minha intenção, aqui, não é criticar as vacinas, que desempenharam um importante papel na história do século XX. Entendo a questão assim: antes de se tomar uma vacina, é necessário avaliar e eventualmente melhorar a qualidade do sangue. Caso contrário, será como represar a água de um rio sem se preocupar em canalizar devidamente seu fluxo. Provavelmente, as águas transbordarão em outro lugar, com mais ímpeto e de forma inesperada.
Como toda descoberta da história da humanidade, as vacinas têm sua validade e importância científica. Em casos específicos, quando se trata de preservar vidas ameaçadas, considero seu uso extremamente válido. Eu mesma não me atreveria a visitar uma região infestada pela varíola sem tomar vacina. É imprudente expor alguém a uma quantidade avassaladora de microrganismos com os quais não teve contato anterior. É por esse motivo que tantos indígenas, ao entrar em contato com a civilização, perderam a vida, a contato com germes comuns entre nós, civilizados, mas desconhecidos entre eles, contra os quais seu organismo não possuía a menor defesa.
Tomar ou não vacinas é questão de foro íntimo e a decisão, seja qual for, deve ser respeitada. No meu caso, agradeço à intuição que me tranquilizou nesse aspecto. O sangue dos meus filhos estava suficiente limpo e eu não deveria temer abalos à sua saúde, exatamente como aconteceu. Talvez, se eu tivesse lhes dado as vacinas de praxe, eles teriam tido amigdalites, rinites ou bronquites, que parecem ser a marca registrada dos males da infância de hoje. Ou, eventualmente, algo pior, como quando eu mesma estive entre a vida e a morte, por causa da difteria que contraí apesar - ou graças? - à vacina...
Se todo aprendizado se baseia na experiência, isso também diz respeito à produção de anticorpos, as defesas naturais do organismo. Ninguém nasce prevenido, para isso a natureza oferece ao bebê a proteção do colostro e do leite materno. A partir disso, todos os contatos são válidos para fortalecer o sistema imunológico, desde que o sangue esteja razoavelmente puro e sejam tomadas medidas de higiene apropriadas. Pode parecer difícil encontrar esse equilíbrio, mas a intuição às vezes nos alerta e não lhe damos ouvidos!
Quando entramos em ambientes onde nos sentimos sufocar, faríamos bem de sair imediatamente. Quando sentimos um odor ou gosto estranho, diferente do habitual, num alimento, não deveríamos insistir em comê-lo. E assim por diante.
A criança tem uma sensibilidade aguçada que a alerta de certos perigos para a saúde e muitas vezes o adulto não permite que ela aja conforme esse feeling. Quando ela pede para tirar um agasalho, pode estar querendo defender-se de uma concentração de calor que provoca proliferação de germes; quando ela quer tirar o sapato, pode estar precisando sentir o contato com o solo, para descarregar ou carregar-se de energia. Se contrariarmos sumariamente essas tendências naturais, a criança poderá perder a sensibilidade que a alerta contra certos perigos. A infância é a fase primeira, fundamental e principal de adaptação ao mundo em que vivemos. Todas as experiências nesta fase são importantes.
Fico triste quando vejo crianças tolhidas em sua necessidade natural de dar cambalhota, plantar bananeira, correr, pular, dançar. Não é só a falta de espaço que cria limitações à exuberância infantil. As artes da criança são muitas vezes toleradas apenas como treino para algum esporte, e de preferência em lugares apropriados. Muitos adultos não têm paciência para conviver com toda a vivacidade da criança, que geralmente não se limita a correr ou pular, mas acompanha o treino com gritaria e confusão.
Já esteve na moda a Terapia do grito. Não querendo banalizar essa interessante prática, pergunto-me como seria se a criança tivesse a oportunidade de gritar sempre que precisasse. Todos reconhecem que o equilíbrio emocional é um importante componente da saúde, mas poucos entendem a necessidade e o poder do grito para a saúde. Além disso, calar a boca da criança é um ato repressor que não provoca apenas a supressão do grito, mas interfere na espontaneidade do relacionamento com o adulto. Ninguém pode se queixar da falta de diálogo com os filhos, se os mandou calar-se na infância. O que não significa que as crianças devam ficar berrando o tempo todo e os adultos aguentando calados, assim a vida ficaria um inferno. rs
Vale a pena refletir sobre o excesso de agitação das crianças, aí pode ter causas interessantes a descobrir...
Correr, pular e extravasar a vitalidade é uma experiência fundamental para a manutenção da saúde, que pode ter boa repercussão durante toda a vida. Yoga* cura uma série de problemas circulatórios e hormonais por meio de posturas chamadas de inversão, ou seja, em que o corpo se encontra numa posição inversa à habitual. Certos problemas circulatórios tem origem na vida sedentária e na postura rígida, sentada ou ereta, que condicionam o fluxo sanguíneo e a circulação de energia. A falta de irrigação de certas áreas do organismo acaba aos poucos tornando-se um problema crônico de saúde. Ao mesmo tempo, devido a essa falha, ocorre um congestionamento de outras áreas do corpo, onde o sangue não é bem drenado.
Andar de quatro, dar cambalhota, plantar bananeira, correr e dançar são variações de postura necessárias para que o sangue circule livremente pelo organismo. Toda criança precisa ter acesso e incentivo à liberdade de movimentos. Mesmo o adulto, sempre que puder, precisa variar sua postura e mexer os músculos. Uma boa oportunidade é acompanhar a brincadeira das crianças, aliás, a convivência com elas ajuda a aguçar a sensibilidade e a intuição.
* Manuel Lezaeta Acharan - MEDICINA NATURAL AO ALCANCE DE TODOS (há outras citações a respeito do grande Lezaeta, em outros capítulos.)
* Hermógenes - AUTOPERFEIÇÃO COM HATHA-YOGA (há outras citações a respeito do grande Hermógenes, em outros capítulos.)
(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)
O Penso, logo existo do mestre Décartes não nos foi explicado direito... No original do Discurso do Método, escrito em francês, a frase completa diz: Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe. Traduzido ao pé da letra seria: Já que duvido, eu penso; já que penso, eu existo. Pessoalmente, sinto-me muito bem na condição de ser que duvida de quase tudo... rs E com isso me dou o direito de também refletir sobre quase tudo.
Antes de decidir se daria ou não vacinas aos meus filhos, havia lido tudo o que podia a respeito e conversado com várias pessoas que se consideravam donas da verdade. Minha cabeça estava um caos. Informações divergentes se avolumavam, palpites e mais palpites confundiam-me cada vez mais, a maioria na contramão do que eu pensava. A intuição definitiva, forte e inquestionável apareceu numa situação no mínimo bizarra. Conversando com um homeopata, ele tentava me convencer a dar a Iara, então com quatro meses de idade, pelo menos as principais vacinas, que na época eram a antipólio, a antidiftérica e a antitetânica. Argumentei com ele que estava em dúvida, pois eu mesma, em criança, tivera difteria em forma grave, duas vezes, apesar - ou graças?... - à vacina que havia tomado. O médico rebateu que a qualidade das vacinas havia melhorado muito e que além disso... blá blá...
De repente, parei de escutar o que ele estava dizendo. Fez-se o mais absoluto silêncio em minha mente e acendeu-se uma luz que me mostrava unicamente o nariz daquele homem, um nariz grande e muito avermelhado. A cor daquele nariz causou-me uma estranha sensação que produziu este pensamento:
Esse homem pode ser um profissional competente ao lidar com a doença, mas pouco entende de saúde e ele próprio está doente.
Naquela hora, a ideia de dar a meus filhos as vacinas de praxe me pareceu perigosa e assim optei pela omissão, segundo os ensinamentos de Lezaeta*, que considera as vacinas capazes de contaminar sangue limpo. Ele afirma que, se o sangue for impuro, a vacina é uma forma de tapar o sol com a peneira, pois ela muda as regras do jogo, ou seja: se o organismo estiver saturado de toxinas, poderá se evitar um sarampo, mas em seu lugar surgirá uma virose ou outra doença - a curto ou médio prazo. Além disso, o acúmulo de vacinas concentra no organismo uma avalanche de toxinas cujas consequências ainda não foram suficientemente pesquisadas. Se pensarmos na quantidade e variedade de vacinas que as crianças recebem de algumas décadas para cá, verificamos que a possibilidade de manifestação das doenças ditas infantis ficou muito limitada. Não poderia ser este um dos motivos pelos quais estão surgindo tantos vírus desconhecidos? Pausa para reflexão...
Uma história interessante: quando André, meu filho do meio, completou 14 anos, houve uma vacinação em massa contra o sarampo, com a mobilização de todas as escolas, que se incumbiram de contatar as famílias dos alunos. André sentiu-se envergonhado de revelar aos colegas de classe que nunca havia tomado vacinas. Nessa idade, ninguém quer ser diferente, não é? rs Então ele me comunicou que iria tomar aquela vacina e PONTO FINAL. Não me opus, aliás já estava na hora de ele começar a tomar suas próprias decisões.
Umas semanas depois ele caiu de cama com um daqueles febrões que lhe eram típicos na primeira infância, mas que depois haviam sumido. Ficou três dias de molho, mas levantou muito diferente daquele André pequeno, que saia das gripes mais forte, alegre e cheio de energia. Desceu da cama fraquinho, sem apetite, com tonturas. Pela primeira vez em sua vida - salvo quando torceu braços e pernas, bateu a cabeça, caiu da bicicleta, do telhado etc. etc. (sim, ele teve infância! rs) - levei-o ao pronto socorro apenas para avaliar a saúde e o médico disse que se tratava de uma virose comum na época, recomendou repouso e boa alimentação. Dez dias depois André voltou ao seu normal, que era jogar bola, cantarolar como uma gralha e provocar as irmãs. Ele me revelou então uma suspeita que lhe havia passado pela cabeça, olha só: teria sido aquele mal-estar, tão diferente de tudo que já tinha experimentado, uma consequência da primeira vacina que havia tomado na vida?
Olha, nem eu mesma poderia ter pensado melhor! Na verdade essa ideia não tinha me ocorrido, eu havia atribuído a virose a um transtorno próprio da adolescência, quando o organismo passa por transformações radicais - hormonais, emocionais, psicológicas... Também não havia dado importância à vacina, pois pensava que o organismo do meu filho já estaria forte o suficiente para se defender de uma eventual reação. Foi muito, muito interessante que ele próprio tenha associado a virose à vacina...
Minha intenção, aqui, não é criticar as vacinas, que desempenharam um importante papel na história do século XX. Entendo a questão assim: antes de se tomar uma vacina, é necessário avaliar e eventualmente melhorar a qualidade do sangue. Caso contrário, será como represar a água de um rio sem se preocupar em canalizar devidamente seu fluxo. Provavelmente, as águas transbordarão em outro lugar, com mais ímpeto e de forma inesperada.
Como toda descoberta da história da humanidade, as vacinas têm sua validade e importância científica. Em casos específicos, quando se trata de preservar vidas ameaçadas, considero seu uso extremamente válido. Eu mesma não me atreveria a visitar uma região infestada pela varíola sem tomar vacina. É imprudente expor alguém a uma quantidade avassaladora de microrganismos com os quais não teve contato anterior. É por esse motivo que tantos indígenas, ao entrar em contato com a civilização, perderam a vida, a contato com germes comuns entre nós, civilizados, mas desconhecidos entre eles, contra os quais seu organismo não possuía a menor defesa.
Tomar ou não vacinas é questão de foro íntimo e a decisão, seja qual for, deve ser respeitada. No meu caso, agradeço à intuição que me tranquilizou nesse aspecto. O sangue dos meus filhos estava suficiente limpo e eu não deveria temer abalos à sua saúde, exatamente como aconteceu. Talvez, se eu tivesse lhes dado as vacinas de praxe, eles teriam tido amigdalites, rinites ou bronquites, que parecem ser a marca registrada dos males da infância de hoje. Ou, eventualmente, algo pior, como quando eu mesma estive entre a vida e a morte, por causa da difteria que contraí apesar - ou graças? - à vacina...
Se todo aprendizado se baseia na experiência, isso também diz respeito à produção de anticorpos, as defesas naturais do organismo. Ninguém nasce prevenido, para isso a natureza oferece ao bebê a proteção do colostro e do leite materno. A partir disso, todos os contatos são válidos para fortalecer o sistema imunológico, desde que o sangue esteja razoavelmente puro e sejam tomadas medidas de higiene apropriadas. Pode parecer difícil encontrar esse equilíbrio, mas a intuição às vezes nos alerta e não lhe damos ouvidos!
Quando entramos em ambientes onde nos sentimos sufocar, faríamos bem de sair imediatamente. Quando sentimos um odor ou gosto estranho, diferente do habitual, num alimento, não deveríamos insistir em comê-lo. E assim por diante.
A criança tem uma sensibilidade aguçada que a alerta de certos perigos para a saúde e muitas vezes o adulto não permite que ela aja conforme esse feeling. Quando ela pede para tirar um agasalho, pode estar querendo defender-se de uma concentração de calor que provoca proliferação de germes; quando ela quer tirar o sapato, pode estar precisando sentir o contato com o solo, para descarregar ou carregar-se de energia. Se contrariarmos sumariamente essas tendências naturais, a criança poderá perder a sensibilidade que a alerta contra certos perigos. A infância é a fase primeira, fundamental e principal de adaptação ao mundo em que vivemos. Todas as experiências nesta fase são importantes.
Fico triste quando vejo crianças tolhidas em sua necessidade natural de dar cambalhota, plantar bananeira, correr, pular, dançar. Não é só a falta de espaço que cria limitações à exuberância infantil. As artes da criança são muitas vezes toleradas apenas como treino para algum esporte, e de preferência em lugares apropriados. Muitos adultos não têm paciência para conviver com toda a vivacidade da criança, que geralmente não se limita a correr ou pular, mas acompanha o treino com gritaria e confusão.
Já esteve na moda a Terapia do grito. Não querendo banalizar essa interessante prática, pergunto-me como seria se a criança tivesse a oportunidade de gritar sempre que precisasse. Todos reconhecem que o equilíbrio emocional é um importante componente da saúde, mas poucos entendem a necessidade e o poder do grito para a saúde. Além disso, calar a boca da criança é um ato repressor que não provoca apenas a supressão do grito, mas interfere na espontaneidade do relacionamento com o adulto. Ninguém pode se queixar da falta de diálogo com os filhos, se os mandou calar-se na infância. O que não significa que as crianças devam ficar berrando o tempo todo e os adultos aguentando calados, assim a vida ficaria um inferno. rs
Vale a pena refletir sobre o excesso de agitação das crianças, aí pode ter causas interessantes a descobrir...
Correr, pular e extravasar a vitalidade é uma experiência fundamental para a manutenção da saúde, que pode ter boa repercussão durante toda a vida. Yoga* cura uma série de problemas circulatórios e hormonais por meio de posturas chamadas de inversão, ou seja, em que o corpo se encontra numa posição inversa à habitual. Certos problemas circulatórios tem origem na vida sedentária e na postura rígida, sentada ou ereta, que condicionam o fluxo sanguíneo e a circulação de energia. A falta de irrigação de certas áreas do organismo acaba aos poucos tornando-se um problema crônico de saúde. Ao mesmo tempo, devido a essa falha, ocorre um congestionamento de outras áreas do corpo, onde o sangue não é bem drenado.
Andar de quatro, dar cambalhota, plantar bananeira, correr e dançar são variações de postura necessárias para que o sangue circule livremente pelo organismo. Toda criança precisa ter acesso e incentivo à liberdade de movimentos. Mesmo o adulto, sempre que puder, precisa variar sua postura e mexer os músculos. Uma boa oportunidade é acompanhar a brincadeira das crianças, aliás, a convivência com elas ajuda a aguçar a sensibilidade e a intuição.
* Manuel Lezaeta Acharan - MEDICINA NATURAL AO ALCANCE DE TODOS (há outras citações a respeito do grande Lezaeta, em outros capítulos.)
(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)

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