11. Bactérias amigas



No organismo de um adulto saudável há dez vezes 
mais germes do que células. Este número pode fazer tremer nas
bases uma pessoa que tem pavor a micróbios...




Se você ainda tinha alguma dúvida, é bom saber que não somos nós, mas os microrganismos, quem domina o planeta... Só nos resta então procurar conhecer seu mundo e ver como podemos fazer alianças. Aliás, a ciência já avançou muito nesse campo, hoje se usam bactérias em vários tipos de indústrias, inclusive a alimentícia, na engenharia genética, na biotecnologia...

O organismo saudável não costuma se assustar com um micróbio qualquer, por mais pomposo que seja seu nome - quem se assusta é o indivíduo influenciável, principalmente se for apresentado ao microscópio... rs Isto, por que num adulto saudável há dez vezes mais micróbios do que células. Surpreso?

É fundamental que aprendamos a utilizar esse exército em nossa própria defesa, já que obviamente está descartada qualquer possibilidade de extermínio... rs Podemos contar com as floras bacterianas que costumam colaborar com o funcionamento dos nossos órgãos e nos protegem contra germes mais perigosos. Matutando sobre isso, formou-se em minha mente esta imagem: um castelo bem protegido por um batalhão alerta é uma presa difícil para o invasor.

Desde a infância nos inculcam ojeriza por sujeira e germes de modo geral. Talvez por isso temos dificuldade para aceitar a ideia de que o nosso corpo é - não se assuste com a expressão - colonizado por microrganismos. Só a flora intestinal abriga uma população de trilhões de bactérias, e muitas delas nos protegem de germes causadores de infecções.

Será que existe uma fórmula para distinguir os microrganismos benéficos dos prejudiciais?... Isto seria simplista e fugiria ao conceito de relatividade. Dividir o mundo em coisas úteis, inúteis ou prejudiciais ao ser humano encerra o risco de se perder o elo de ligação, a relação causal entre os elementos da natureza. Tudo isso é muito mais profundo do que o nosso interesse pessoal permite perceber.

Precisamos ser humildes o suficiente para admitirmos que não fomos os primeiros a habitar este planeta e nada nos garante que seremos os últimos. Ainda sabemos muito pouco sobre a vida na Terra e, para o nosso próprio bem, vale a pena aprender a conhecer, respeitar e valorizar os outros seres que coabitam pacificamente conosco. Da mesma forma como cultivamos os frutos da terra, que nos alimentam e garantem a sobrevivência, podemos também cultivar bactérias benignas, que nos protegem das prejudiciais, além de colaborar ativamente com várias funções do nosso organismo.

Nada disto nos é ensinado na escola, onde poderíamos receber explicações práticas e concretas sobre esse fenômeno. Da forma como aprendemos ciências na escola, ficamos com a impressão de que tudo na natureza se realizou com o aparecimento da nossa espécie e que nosso reinado será eterno, o que não passa de um conto de fadas, já que estamos constantemente ameaçados por terremotos, furacões e outros fenômenos que não podemos absolutamente controlar. Se o ser humano conseguiu dominar alguns seres da natureza, pode porém ser derrotado pelo que lhe escapa aos sentidos ou não consegue compreender claramente.

O micróbio parece o símbolo do inimigo secreto que atua na sombra. Sobre isso leia também o capítulo Forças cegas?! A intuição e até mesmo sensações físicas bem nítidas nos ajudam bastante a detectar certos hóspedes indesejados. Hoje, eu sinto a presença de germes prejudiciais através do olfato, do paladar e demais órgãos dos sentidos, principalmente quando eles tentam entrar pela porta da alimentação. Às vezes me basta olhar para um alimento e perceber que alguma coisa vai mal. Este é um dos motivos pelos quais aboli a carne, há décadas. Mas quero deixar claro que se tratou de uma opção pessoal e que respeito plenamente a dos não-vegetarianos. Concordo com a visão da antroposofia, de que só não deve comer carne quem realmente não sente vontade, ou não consegue mais suportar o seu gosto. Também não me tornei vegetariana de um dia para o outro. O motivo mais antigo que encontrei no meu baú de lembranças foi a estreita ligação que sinto com o mundo animal, desde criança. O animal sofre ao ser morto e libera seu medo e desespero em forma de adrenalina e de outras substâncias que tornam a carne tóxica. Não entendo como alguém se preocupa em salvar as focas dos tradicionais massacres, mas consegue se sentar à mesa e saborear um novilho. Com isto não quero questionar o fato de se comer carne, mas a atitude de defender alguns animais, participando porém da carnificina de outros, tão inofensivos quanto.

Parei mesmo de comer carne quando me conscientizei de que era um alimento sem vida, enfim... cadáver. Um dia, anos depois de me tornar vegetariana, me perguntaram a queima-roupa: Sabe por que um leão faminto, depois de abater um belo animal, come apenas pequena quantidade de carne e logo abandona a presa?

Não soube responder prontamente e assim me esclareceram: Porque o instinto o avisa imediatamente, tão logo as bactérias da putrefação começam a se desenvolver, pondo em risco a sua saúde. Aí ele para imediatamente de comer e deixa o resto aos urubus, que podem se dar ao luxo de ingerir substâncias em decomposição, que digerem durante seus vôos a grandes alturas, quando entram em contato com o ozono da atmosfera e assim neutralizam as toxinas.

É preciso admitir: vivemos num mundo literalmente infestado de microrganismos! A própria ciência aprendeu a utilizá-los e está fazendo milagres no cultivo e utilização de bactérias úteis aos mais variados fins. Esta é mais uma prova de que no dia a dia ainda vivemos no passado, enquanto a tecnologia se desenvolve no futuro. Alguém disse uma frase que reflete perfeitamente isso: É como se a cabeça andasse para frente, enquanto o corpo anda para trás... 

Enquanto não tivermos à nossa disposição um aparelho portátil interceptador e neutralizador de germes perigosos para a saúde (chegaremos um dia a criar tal engenhoca?... rs ), o que de melhor temos a fazer é utilizarmos nossos cães de guarda, os micróbios benignos. Eles fecharão as portas aos oportunistas.

À medida que formos invadidos e colonizados por microrganismos úteis à saúde, nossos órgãos estarão envoltos numa espécie de capa protetora, formando como que um campo magnético ao nosso redor. E aqui chegamos ao X da questão: como criar condições favoráveis à captação de micróbios benignos e assim afastar os prejudiciais - já que o planeta é infestado desses nossos irmãozinhos... rs?

O primeiro passo é a higiene, de que nossos amigos gostam, sem exageros, para não exterminá-los. Você limparia o pelo do seu cão de guarda com água sanitária?...

De acordo com a medicina naturista, a higiene começa no interior do organismo. A limpeza externa é também fundamental, mas não deve ser exagerada, para não prejudicar justamente os amigos colonizadores. A esse respeito vou abordar um tema polêmico: a higiene bucal, tão enfatizada nas escolas, principalmente de educação infantil.

Na escolinha, meus filhos foram condicionados a uma escovação neurótica dos dentes e até me colocaram em xeque, já que eu não era radical. Lá, aprenderam a escovar os dentes rigorosamente de manhã, à noite e após todas as refeições. Ignoram porém muitos educadores que a higiene bucal começa no aparelho digestivo. O consumo excessivo de doces, refrigerantes, chocolates, pão branco e outros alimentos refinados desfalca as reservas de sais minerais do organismo, roubando o cálcio dos dentes, ossos etc. Os dentes, como a pele, enfraquecem principalmente por causas internas, por desnutrição. A escovação de dentes é, portanto, apenas um complemento. Além disso, os creme dentais encontrados no mercado destroem também a flora bucal benigna, para não falar dos produtos químicos/sintéticos que também nos intoxicam, muitos deles cancerígenos... Existem cremes dentais de fórmula quase exclusivamente vegetal, mas são muito caros e distribuídos apenas em lojas de produtos orgânicos.

Quando a refeição é leve e sem açúcar, basta comer uma maçã de sobremesa para limpar dentes e gengivas. Alguns minutos depois, a flora bucal terá acabado de eliminar o resto dos detritos, naturalmente. Entre parênteses, não se pode deixar de falar das fantásticas propriedades nutritivas e depurativas da maçã, hoje redescobertas pela medicina cardio-vascular, sendo um dos alimentos mais eficazes para dissolver as gorduras no sangue. A maçã é uma daquelas frutas abençoadas da natureza, que inspirou o célebre ditado inglês: An apple a day takes the doctor away (Uma maçã por dia afasta o médico.)

A maioria dos cremes dentais comercializados contêm muitos produtos químicos (cuidado com a intoxicação por fluor!). Aliás, não é tão o creme que garante a limpeza dos dentes e gengivas, mas a boa escovação. Já vi crianças pequenas terem problemas gástricos devido à ingestão de creme dental. Um pecado!

Um caso interessante ocorreu na escolinha dos meus filhos, depois que gastei muita saliva pedindo para diminuir o açúcar e as porcarias durante as comemorações, sendo sempre aquela mãe chata e desnaturada (veja também o capítulo Saúde = Educação. Um belo dia recebi um comunicado informando que a Semana da Criança seria festejada na escola à base de sucos de frutas, sanduíches naturais, hortaliças cruas etc. Fiquei muito feliz!

Um ano depois, ao receber o novo comunicado sobre a Semana da Criança, fui informada que o cardápio tinha voltado ao que era antes: refrigerantes, salgadinhos, chocolates, pirulitos etc. Perguntei o porque dessa recaída e a diretora me informou que havia sido inevitável. No ano anterior, durante a mesma semana, 95% dos alunos não tinham comido absolutamente nada, por falta de hábito. Mesmo acreditando que seria melhor optar por uma alimentação mais saudável, e até contando com o apoio de vários pais, a escola não se sentiu no direito de impor novamente aos alunos um hábito que não era cultivado em suas casas. Não gostei, rs, mas concordei!

Hoje há uma consciência maior a respeito da alimentação saudável, o governo brasileiro até tentou impor novos hábitos às famílias, com respeito à alimentação dos filhos. Com isso não concordo, não! O governo tem é que dar O BOM EXEMPLO, ou seja, servir aos alunos das redes públicas alimentos nutritivos, de boa qualidade e de preferência orgânicos, mas não impor essas práticas às famílias. Simplesmente por que isso não funciona!

Agora passo a relatar uma experiência bem pessoal. Após sofrer com repetidas inflamações e retrações das gengivas, devidas provavelmente aos diversos cremes dentais que usei ao longo de minha   l  o  n  g  a   existência, descobri um excelente método para limpeza dos dentes: dissolver uma colher de café de dolomita em pó num copo de água, mergulhar a escova no copo e escovar. A dolomita é uma rocha que contém cálcio e magnésio, portanto é preciosa para a saúde bucal e mantém o ambiente alcalino na boca, afastando naturalmente os germes. Mais uma vantagem: você usa apenas um copo de água - essa que é a substância mais valiosa do planeta - na escovação, e no final usa a dolomita dissolvida para fazer bochechos, espalhando cálcio e magnésio por toda a boca. Nunca mais tive inflamações ou sensação de ardência nas gengivas. Só não recomendo ingerir a dolomita, ao contrário do que aconselham muitos naturistas, tanto que existe também em cápsulas. Pode ser um antigo preconceito meu, mas prefiro sempre o alimento mineral reelaborado através do mundo vegetal.

Chegamos agora a outra questão séria e polêmica, que também prejudica as bactérias benignas que colonizam nosso organismo: os aditivos alimentares.

Antigamente - estou falando da época da minha avó - adicionavam-se produtos químicos aos alimentos apenas com a finalidade de conservá-los. Tratava-se de real necessidade, que ainda persiste em muitos casos. Em nossos dias, porém, há uma verdadeira febre de aditivos, para dar-lhes sabor, cor, aroma, consistência, textura, beleza etc. A maioria desses aditivos é elaborada de forma sintética, alguns ou vários são cancerígenos e seu acúmulo no organismo depende da frequência do consumo. Alguém que come diariamente salsichas, linguiças, margarinas, maioneses, miojos e embutidos em geral pode estar seriamente prejudicando sua saúde. Como fica a soma de aditivos ingeridos a cada refeição, a cada semana, mês ou ano? Alguém pesquisa as consequências desse acúmulo?...

Esses resíduos químicos são de difícil eliminação pelas vias de saída normais e vão aos poucos debilitando a flora do aparelho digestivo, pois tampouco servem de alimento para as bactérias que ajudam na digestão. Uma imagem engraçada que me vem de vez em quando é de uma bactéria faminta tentando abocanhar um aditivo químico e quebrando um dente...

O abuso da química na alimentação é ainda um fenômeno recente na história e acredito que o nosso organismo não se habituou às doses maciças que lhe impomos, tanto em forma de aditivos, quanto de adubos e agrotóxicos que não se consegue retirar dos alimentos. Para não falar do excesso de medicamentos, muitas vezes adquiridos sem receita.

Pode parecer exagero, mas existem pessoas que praticamente só se alimentam de forma artificial e a Unicef já alertou sobre a enorme expansão da obesidade infantil em todo o mundo, causada por alimentos que, além de serem puro carboidrato, também contêm doses maciças de aditivos: refrigerantes, salgadinhos, frios, enlatados, balas, chocolates, danoninhos, etc. Infelizmente esses alimentos fazem a alegria de muitas crianças e viciam seu paladar a ponto de rejeitarem comida mais saudável.

No entanto, quando a alimentação é equilibrada, ingerir alguns aditivos não causa estragos. Tudo é questão de bom senso e também de respeito aos costumes dos povos, que nos trouxeram até aqui e não podem ser mudados da noite para o dia.

Durante essas décadas de pesquisa e estudo, tenho visto muitos contrassensos, como por exemplo renegar o consumo de ovos e manteiga, taxados de vilões do colesterol, tendo sido agora reabilitados. Tem havido também cruzadas contra o Açúcar criminoso e o Sal assassino, que causaram polêmicas. Perigos existem, sim, quando a ingestão é exagerada. Pipocas! Existe alguma dúvida que o sal em excesso eleva a pressão do sangue? E que o excesso de açúcar pode provocar diabetes? Se as doses forem maciças de nada adianta, por exemplo, usar sal marinho ou açúcar mascavo, pois o estrago será o mesmo.

Se alguém fizer um jejum a base de água e sal, morrerá bem antes que se tomasse unicamente água. Ué, mas existe jejum que leva à morte? Bem, este assunto fica para um próximo capítulo...

Escolhi o sal apenas como exemplo. Ele é um produto mineral, tão químico quanto qualquer outro elemento ou alimento, pois tudo na Natureza se resume a elementos químicos - não é mesmo, Roberta? rs Falta porém ao sal o elemento vitalidade. Qualquer alimento, após um determinado tempo, se deteriora, se decompõe. O sal não sofre esse processo. Os aditivos químicos elaborados em laboratório também não.

A deterioração dos alimentos é feita no aparelho digestivo com a ajuda da flora bacteriana que lá se encontra, à espera de nutrição. Alimentos naturais/integrais dão menos trabalho ao aparelho digestivo, pois são facilmente biodegradáveis.

Se você for do tipo que faz questão desse tipo de detergentes na limpeza da sua casa, vai entender direitinho a diferença entre um alimento natural e um que contém aditivos sintéticos, que ficam depositados no organismo e com o tempo provocam transtornos inesperados. Sabe aquela enxaqueca que nenhum médico consegue curar?... Aqueles cálculos na bexiga ou nos rins?... Rigidez dos membros, inflamação nas articulações, miomas, fibromas, câncer, que parece ser a doença típica da ponte entre o antigo e o novo milênio.

Os aditivos podem não ser a causa primeira nem o único componente desses males, mas trata-se aqui do princípio da lata do lixo. O organismo, que é sábio e muitas vezes se comunica conosco para nos alertar, tenta sempre varrer como pode as substâncias prejudiciais à saúde  e atirá-las nos lugares possíveis, exatamente como nós fazemos nos dias de coleta do lixo, a fim de que a casa não fique suja e bagunçada. Na esperança de que passe o lixeiro, o organismo vai atirando as toxinas nos lugares onde menos incomodam, ou seja, onde não afetam os órgãos vitais. O lixeiro, na verdade, é o sangue, que porém não tem como eliminar o excesso de substâncias químicas, que vão ficando, ficando... até...

Da mesma forma como a terra demora anos ou até séculos para decompor a enxurrada de lixo não-biodegradável que recebe constantemente, e que a torna cada vez mais pobre, a flora bacteriana do nosso aparelho digestivo enfraquece cada vez mais, ao ser bombardeada com o excesso de aditivos químicos que não consegue metabolizar.

Agora vamos tomar cuidado com outra flora, aquela que protege a nossa pele e cabelos, mas que estamos constantemente enfraquecendo através de banhos muitos quentes e produtos de higiene também repletos de produtos químicos, vários deles cancerígenos. Essa questão está sendo discutida muito na Europa e também, mas menos, nos Estados Unidos, porém aqui no Brasil quase não se fala disso... Trabalhei em laboratórios cosméticos e sei do que estou falando. Não quero aqui contar histórias tristes, vou dizer apenas que retomei antigos hábitos da minha mãe e avó, com resultados incríveis: enxaguar os cabelos com água e vinagre, usar sabonetes que fazem pouca espumas e limpam muito melhor, desodorante caseiro à base de bicarbonato etc. Existem muitas fórmulas na internet, mas muitas vezes tenho preguiça de fazer em casa, então procuro pequenos produtores de artigos de higiene que não utilizam aditivos químicos, são contatos deliciosos com pessoas que pensam como eu. Outra coisa que a minha pele exige é muita luz do sol, abuso dela de manhã cedo e no final da tarde, no meu jardinzinho. Também não me importo, aliás faço questão de suar, é assim que o organismo expele muitas toxinas. Quando a pele fica fraca, o rim é sobrecarregado... E muitas vezes, após o banho, passo... sabe o que no corpo todo? Uma fina camada de óleo de coco, que deixa a pele macia e super hidratada.

Bom, de novo, o objetivo aqui não é dar dicas, mas apenas mostrar que existem outros caminhos que não os indicados pela grande mídia, que é movida a $$$ (coloquei 3 x o símbolo $ porque se trata aqui de MUITO dinheiro, é um esquema gigantesco de lavagem cerebral, orquestrado pela criatividade de agências de propaganda & comunicação que dominam praticamente todo o planeta...)

A função da pele como uma das principais vias de saída do organismo não é suficientemente valorizada, a ponto de os desodorantes mais vendidos serem... antitranspirantes, muitos à base de alumínio. Sem comentários, pois sei que vai chegar uma enxurrada de questionamentos, alegando que não há evidências científicas etc. e tal... rs

Nada, porém, está perdido, já que uma onda de consciência ecológica está percorrendo o planeta e qualquer hora vai chegar a este país abençoado por Deus. Até lá, quem se propuser a fazer uma desintoxicação de resíduos químicos - excesso de aditivos alimentares, metais pesados contidos em cosméticos e produtos de higiene, drogas ou medicamentos, terá dado um primeiro passo e um excelente exemplo.

Este capítulo está ficando muito longo e chato, mas já que comecei esta lavagem de roupa suja, vou criticar outros vilões da alimentação, também pela ótica do enfraquecimento das floras bacterianas que auxiliam no funcionamento do nosso corpo. Hoje, todas as padarias - não todas, mas digamos, as conceituadas, além dos grandes supermercados, vendem também pães de trigo integral e outros produtos chamados integrais, ao lado dos refinados. Esse mercado está crescendo, mas muitas pessoas ainda não refletiram a respeito, mesmo aquelas que optaram por abandonar o pão branco, o arroz refinado, o açúcar beneficiado e assim por diante.

A mudança vale muito a pena, mas tem que se entender bem os motivos e as implicações.

Ironicamente, esses produtos que durante muitas décadas reinaram absolutamente nas prateleiras de todos os supermercados, e ainda hoje representam a maior fatia, emplacaram graças a uma espetacular estratégia de marketing: o beneficiamento. Sob o pretexto de deixar os ingredientes puros, ou seja, livres de sujeiras, com consistência, cor e sabor mais uniformes, garantindo também maior durabilidade, são submetidos a processos que lhes retiram a maior parte das vitaminas, sais minerais e proteínas contidas no alimento integral. A própria prática do refinamento de grãos e do açúcar é feita muitas vezes utilizando química pesada. Os alimentos assim beneficiados são na verdade extremamente pobres do ponto de vista nutricional, mesmo que lhes sejam acrescentados aditivos sintéticos como vitaminas, ferro e outros sais minerais.

Faz sentido, retirar de um alimento seus principais nutrientes, para depois acrescentar-lhes outros sintéticos, ou seja, de difícil assimilação?... Devemos isso ao preconceito de cor (rs) dos nossos tataravós, que não gostavam de farinhas e açúcares morenos, nem aceitavam que a cada vez o alimento pudesse ter um sabor característico, como ocorre com os produtos integrais.

De qualquer forma, a prática do refinamento dos grãos e do açúcar é bem recente na história da alimentação e não foi inventada com má intenção. O ser humano está sempre buscando mudanças e às vezes envereda por caminhos perigosos. O tempo é que costuma solidificar, ou não, os hábitos adquiridos. No caso do beneficiamento, está chegando a hora da verdade. A escolha é livre e cada um colhe conforme semeia. Sob vários pontos de vista, o alimento natural e integral é muito mais nutritivo e assimilável do que seu irmão caçula, o refinado, que sofre de anemia, raquitismo e esterilidade. Experimente plantar um grão de arroz integral e outro de arroz branco!...

Por outro lado, tenho visto em padarias e lanchonetes verdadeiras aberrações, como indigestos salgados integrais empapados de gordura, do tipo pães de queijo, rissoles, fogazzas, esfihas... Ao experimentá-los, o sabor de muitos também trai a presença de sabores artificiais de bacon ou de glutamato monossódico, talvez o aditivo mais presente nos produtos alimentícios encontrados em supermercados. A questão do pão é um caso a parte, pois muitas padarias vendem pães integrais muito ruins, que à primeira mordida já mostram terem apenas uma pequena parte de farinha integral adicionada, para serem vendidos a preço maior. Vejo inclusive pães integrais muito caros e preparados, sim, com farinha de trigo integral, mas com muitos aditivos químicos, o que no final dá no mesmo...

Pessoalmente, não me encanto com modismos e tenho certo respeito pela tradição, afinal, bem ou mal, chegamos até aqui. Talvez, no mundo de amanhã (o que significa mesmo, amanhã?...) a nossa alimentação venha a ser composta de pílulas, o que aliás foi uma teoria  até conceituada algumas décadas atrás. Certamente, hoje ninguém teria condições de alimentar-se dessa forma. No entanto, da mesma maneira como o homem da pedra nunca imaginaria que se pudessem elaborar alimentos como o suflê ou o sorvete, não sabemos o que o futuro nos reserva...

Precisamos deixar portas abertas, para não sufocarmos no radicalismo. Pessoalmente preferiria que o alimento de amanhã fosse, pura e simplesmente, catar frutos das árvores e comê-los sem manipulação, mas não posso excluir que fenômenos imprevistos nos empurrem em outra direção. Nosso organismo físico já é muito diferente do que tínhamos na idade da pedra. Alguns dentes nos servem hoje apenas de enfeite e é possível que um dia nosso aparelho digestivo esteja totalmente atrofiado. Ou será que não?... Deixo esta questão para quem gosta de fazer conjeturas e vou limitar-me a observar o presente. No momento, prefiro me alimentar conforme a constituição atual do meu organismo.


(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)

Comentários