Muitas pessoas entram em decadência física antes
dos trinta anos. Outras começam a sentir falta de energia,
inclusive mental, na tal idade do lobo.
No balanço da saúde existe um fator que tem o poder de harmonizar todas as funções do organismo, tornando-as mais eficientes: é o movimento, o exercício físico, enfim, tudo o que justifica a absorção de alimentos, água, ar e energia.
Existe uma noção equivocada de conforto, que se resume em deixar o corpo em posição de descanso. Mas é justamente isso que prejudica e desgasta o organismo. Até porque não existe posição de descanso. Mesmo que o corpo pareça estar parado, as funções vegetativas continuam operando normalmente. Além disso, quando ficamos na mesma posição durante muito tempo, até durante horas, o corpo saudável começa a sentir um certo desconforto. O que será isso?... É a força de gravidade nos desequilibrando, e aí o organismo envia esta mensagem: Mude de posição!
E aí? Você muda de posição sempre que seu corpo pede?... Vai refletindo aí.
Este papo é muito intenso! Na década de 70 eu descobri um cientista chamado Moshe Feldenkrais*, do qual já falei em outros capítulos deste livro. Naquela época, me encantei com alguns conceitos simples que ele divulgava, como fazer movimentos lentos e prazerosos, prestar atenção à respiração, evitar exercícios pesados etc. Mas confesso que ainda não tinha maturidade suficiente para entender em profundidade o método que ele criou e explica em seu livro Consciência pelo movimento.
Há apenas alguns meses, descobri no facebook que esse método está sendo finalmente divulgado e valorizado no Brasil, através da Dra. Kelly Lemos, que promove cursos virtuais e publica vídeos no youtube, muitos deles de graça. Me animei a reler Feldenkrais e percebi que havia emprestado o livro pra não sei quem, então fui recomprá-lo e na releitura percebi quão pouco eu havia entendido... rs
O método é profundo e vai muito além de um tratamento para a coluna, músculos e membros. Ele atinge todas as áreas da saúde! Consciência pelo movimento significa você estar atento a todas as maravilhas que o seu organismo opera, de dia e de noite. Se trata de compreender essa estrutura espetacular que é o funcionamento integrado de órgãos, músculos, tendões, ossos, nervos e demais tecidos do organismo, tudo sincronizado pela respiração, pela circulação do sangue e... pela mente.
O corpo humano foi se desenvolvendo durante milhões de anos e está em constante mutação. Além disso, cada organismo é diferente do outro! Por isso, perceber o próprio corpo e ajudá-lo a funcionar melhor, de forma consciente, é uma ação individual e intransferível, que não adianta delegar a um médico, a um terapeuta, a um personal trainer, ou coisa que o valha. Você pode, sim, receber uma orientação, mas precisa segurar as rédeas desse processo maravilhoso que é o movimento do seu corpo no espaço e na vida. Movimento que é tão mais adequado quando parte da consciência, beneficiando, em primeiro lugar, o estado emocional. Preste bem atenção: não se trata de ter apenas consciência DO movimento, mas de ampliar a consciência ATRAVÉS do movimento.
Assim, não é de espantar que a Dra. Kelly Lemos tenha ajudado pessoas a resolver problemas de saúde considerados incuráveis ou casos de cirurgia, como o lúpus, a fibromialgia ou a hérnia de disco... Tudo com exercícios simples, mas com muita atenção e percepção.
Voltando à questão descrita acima, sobre mudar de movimento, essa é a chave para a saúde geral! A vida sedentária e as profissões que obrigam a ficar o dia inteiro sentado ou olhando fixo para o computador, os óculos que engessam a visão e impedem a passagem da luz solar, os medicamentos farmacêuticos desnecessários que engrossam o sangue e impedem a livre circulação, tudo isso contribui para retirar do organismo preciosas energias.
Quando você não atende à mensagem do corpo que pede uma mudança de posição, não pense que ele fica parado! Os músculos, ossos e nervos que sem saber você está prejudicando entram em estado de tensão, ou seja, estresse. Isso não ocorre apenas na coluna e nos ombros, embora geralmente os mais afetados. Pode ser uma tensão no maxilar, que periga criar um desgaste na mandíbula - e dá-lhe cirurgia! Pode surgir uma Lesão por Esforço Repetitivo, a famosa LER, que adora atacar os tendões e prejudicar as articulações... Terríveis dores de cabeça podem ser provocadas por olhar fixamente na tela do computador durante horas, provocando uma espécie de LER do cérebro. E assim por diante, passando por hérnias, bico de papagaio, joanete e tudo que você pensava fosse... defeito do seu organismo ou questão de hereditariedade.
Feldenkrais explica, com muita clareza e através de exemplos concretos, que tudo isso ocorre não por erros de postura - ele não acredita numa postura ideal para o ser humano - mas por você não atender às mensagens do corpo, quando ele pede trégua. E se você deixa de prestar atenção a esses sinais, em breve vai deixar de receber as mensagens...
Nada porém é definitivo! A extraordinária eficácia e beleza do método Feldenkrais está na simplicidade dos exercícios, explicados cientificamente, que nos permitem voltar às origens da nossa espécie e recuperar a conexão mente-corpo, em apenas poucos meses.
Depois desse banho de Feldenkrais vou passar para a minha filosofia feijão com arroz... Nosso organismo não é primitivo e rude como quando vivíamos nas cavernas, ele foi se afinando e sofisticando. Não precisamos mais fugir das feras que nos ameaçavam, nem subir em árvores para catarmos frutos, ainda assim nossas pernas e braços precisam ser utilizados, nossos músculos e cérebro necessitam de boa oxigenação, o que é impossível se ficarmos sempre apenas de pé, sentados ou deitados, gastando um mínimo de energia.
A natureza é boa administradora e fornece os meios de acordo com o uso. Quem quiser ter bastante energia e boa vitalidade precisa fazer por merecer. Aliás, quando alguém diminui suas atividades físicas, costuma sofrer cortes no suprimento de energia. Algumas situações até banais podem nos meter em apuros, quando estamos sem qualquer preparo físico, tipo:
O método é profundo e vai muito além de um tratamento para a coluna, músculos e membros. Ele atinge todas as áreas da saúde! Consciência pelo movimento significa você estar atento a todas as maravilhas que o seu organismo opera, de dia e de noite. Se trata de compreender essa estrutura espetacular que é o funcionamento integrado de órgãos, músculos, tendões, ossos, nervos e demais tecidos do organismo, tudo sincronizado pela respiração, pela circulação do sangue e... pela mente.
O corpo humano foi se desenvolvendo durante milhões de anos e está em constante mutação. Além disso, cada organismo é diferente do outro! Por isso, perceber o próprio corpo e ajudá-lo a funcionar melhor, de forma consciente, é uma ação individual e intransferível, que não adianta delegar a um médico, a um terapeuta, a um personal trainer, ou coisa que o valha. Você pode, sim, receber uma orientação, mas precisa segurar as rédeas desse processo maravilhoso que é o movimento do seu corpo no espaço e na vida. Movimento que é tão mais adequado quando parte da consciência, beneficiando, em primeiro lugar, o estado emocional. Preste bem atenção: não se trata de ter apenas consciência DO movimento, mas de ampliar a consciência ATRAVÉS do movimento.
Assim, não é de espantar que a Dra. Kelly Lemos tenha ajudado pessoas a resolver problemas de saúde considerados incuráveis ou casos de cirurgia, como o lúpus, a fibromialgia ou a hérnia de disco... Tudo com exercícios simples, mas com muita atenção e percepção.
Voltando à questão descrita acima, sobre mudar de movimento, essa é a chave para a saúde geral! A vida sedentária e as profissões que obrigam a ficar o dia inteiro sentado ou olhando fixo para o computador, os óculos que engessam a visão e impedem a passagem da luz solar, os medicamentos farmacêuticos desnecessários que engrossam o sangue e impedem a livre circulação, tudo isso contribui para retirar do organismo preciosas energias.
Quando você não atende à mensagem do corpo que pede uma mudança de posição, não pense que ele fica parado! Os músculos, ossos e nervos que sem saber você está prejudicando entram em estado de tensão, ou seja, estresse. Isso não ocorre apenas na coluna e nos ombros, embora geralmente os mais afetados. Pode ser uma tensão no maxilar, que periga criar um desgaste na mandíbula - e dá-lhe cirurgia! Pode surgir uma Lesão por Esforço Repetitivo, a famosa LER, que adora atacar os tendões e prejudicar as articulações... Terríveis dores de cabeça podem ser provocadas por olhar fixamente na tela do computador durante horas, provocando uma espécie de LER do cérebro. E assim por diante, passando por hérnias, bico de papagaio, joanete e tudo que você pensava fosse... defeito do seu organismo ou questão de hereditariedade.
Feldenkrais explica, com muita clareza e através de exemplos concretos, que tudo isso ocorre não por erros de postura - ele não acredita numa postura ideal para o ser humano - mas por você não atender às mensagens do corpo, quando ele pede trégua. E se você deixa de prestar atenção a esses sinais, em breve vai deixar de receber as mensagens...
Nada porém é definitivo! A extraordinária eficácia e beleza do método Feldenkrais está na simplicidade dos exercícios, explicados cientificamente, que nos permitem voltar às origens da nossa espécie e recuperar a conexão mente-corpo, em apenas poucos meses.
Depois desse banho de Feldenkrais vou passar para a minha filosofia feijão com arroz... Nosso organismo não é primitivo e rude como quando vivíamos nas cavernas, ele foi se afinando e sofisticando. Não precisamos mais fugir das feras que nos ameaçavam, nem subir em árvores para catarmos frutos, ainda assim nossas pernas e braços precisam ser utilizados, nossos músculos e cérebro necessitam de boa oxigenação, o que é impossível se ficarmos sempre apenas de pé, sentados ou deitados, gastando um mínimo de energia.
A natureza é boa administradora e fornece os meios de acordo com o uso. Quem quiser ter bastante energia e boa vitalidade precisa fazer por merecer. Aliás, quando alguém diminui suas atividades físicas, costuma sofrer cortes no suprimento de energia. Algumas situações até banais podem nos meter em apuros, quando estamos sem qualquer preparo físico, tipo:
- A gente carrega um peso um pouco maior que o habitual e dá mau jeito na coluna.
- A gente tenta pular um córrego de água formado pela chuva nas belas ruas das capitais brasileiras, onde os bueiros entopem à toa, escorrega e torce o tornozelo.
- Mas a situação mais incrível é esta: a pessoa pura e simplesmente cai da cama e fratura algum osso. A não ser que se trate de pessoas muito idosas, isso é falta de exercício. Acontece a quem caiu muito pouco quando criança, porque mamãe tinha medo que se machucasse, não deixou correr, pular, aprontar. E a quem leva uma vida sedentária.
O cálcio se fixa muito pouco nos ossos, quando há falta de exercício. E também falta de sol. Passei anos trancada em escritórios e agora que tenho minha liberdade não deixo de aproveitar qualquer solzinho no meu jardim. Se você não tem jardim ou terraço onde possa tomar sol, fuja da cidade nos finais de semana e vá para lugares com natureza e ar puro.
Se falei tanto de Moshe Feldenkrais, não posso deixar de falar de Meir Schneider*, outro grande cientista que desenvolveu o método Self Healing para a saúde visual, baseado em exercícios antigos que pesquisou e aperfeiçoou a ponto de permitir que pessoas com graves problemas de visão voltem a enxergar, inclusive podendo dirigir sem óculos.
Feldenkrais e Schneider têm muito em comum. Ambos iniciaram seus estudos por necessidade própria, já que o primeiro sofreu uma grave lesão no joelho e o segundo nasceu com catarata e ficou praticamente cego após duas cirurgias mal sucedidas. Vejo ambos como verdadeiros missionários, já que, após superarem graves problemas pessoais através de intensas pesquisas, dedicaram seus estudos e sua vida ao próximo de forma desprendida, sem inventarem procedimentos, fármacos ou maquinários caros e inacessíveis, nem receberem royalties ou dividendos de grandes empresas.
Já falei também de Meir Schneider em outros capítulos do livro, mas preciso mostrar mais um paralelo entre esses dois grandes cientistas. Da mesma forma que Kelly Lemos está representando Feldenkrais no Brasil, o trabalho de Schneider é lindamente reproduzido aqui pela Dra. Tatiana Gebrael, que também tem um canal no youtube, onde disponibiliza de graça muitos vídeos com exercícios visuais, inclusive costuma oferecer periodicamente aulas abertas no Parque Villa Lobos, aqui em São Paulo. A saúde geral depende muito da boa visão, que proporciona também equilíbrio ao organismo. Muitos exercícios são comuns aos métodos Feldenkrais e Schneider, mostrando que ambos tem uma visão holística da saúde. Já contei em outro capítulo como há anos joguei fora meus óculos de grau graças ao método Self Healing, não vou então me repetir.
Sei que este capítulo está ficando longo, mas vamos falar um pouco sobre o prazer do movimento. Ele é inato na criança e não se extingue espontaneamente na adolescência, desde que haja condições favoráveis para exercitá-lo, como espaço, ar puro ou ambiente descontraído.
Entendo que orientar a criança desde cedo para um ou outro esporte pode ser um grave erro. Além de correr o risco de forçar prematuramente um organismo em desenvolvimento, pode-se matar o prazer natural do movimento, condicionando o exercício à competição. Quantos já não abandonaram o esporte por sentir-se desestimulados ou fracassados, e nunca mais se interessaram por qualquer tipo de exercício? Conheci uma garota cuja mãe dizia que ela nadava pra burro, mas que não aguentava mais ver água pela frente.
Acho algumas competições esportivas muito interessantes, mas penso que seria melhor se o esporte, o exercício e outras atividades que estimulam o organismo fossem incorporadas ao dia a dia das pessoas, desde os primeiros anos de vida, como uma real e natural necessidade.
O exercício tem o poder de estimular o metabolismo, acelerar as trocas, melhorar a respiração, o funcionamento da pele, a circulação do sangue, a eliminação de toxinas, a absorção de energia, o humor e tudo o mais. Ou melhor, a falta de exercício é que leva a inexoráveis perdas, pois todos os músculos do organismo precisam e merecem ser utilizados, ao menos de vez em quando.
Não precisamos ser equilibristas ou acrobatas para manter a saúde, mas é verdade que, em geral, as pessoas entram em decadência física antes de completar trinta anos. Ou seja, muitos músculos vão se atrofiando e cansando de carregar o esqueleto, a pele esfria e enfraquece, a circulação do sangue torna-se deficiente etc. Por falta de movimento...
Por outro lado, o exercício físico precisa ser adequado a cada organismo. Uma das vantagens da idade é o número de experiências e vivências que a gente acumula. rs Já vi MUITA gente iniciar um esporte e logo desistir, sentindo-se derrotada. Às vezes o problema é o descaso e a ganância de certos profissionais da área, que prometem milagres com seus cursos de musculação, pilates, lutas orientais etc., sem levar em conta que seus alunos são diferentes em idade, compleição física, vitalidade e saúde.
Alguém se lembra da aeróbica de alto impacto, que infestava milhares de academias no início do século? Ela era inclusive praticada ao ar livre em praias e clubes, envolvendo centenas de pessoas ao mesmo tempo. Quantos joelhos não foram lesionados naquela época, devido à irresponsabilidade geral, por seguir um modismo? E não se tratava apenas de leigos, conheci uma professora de ginástica que foi vítima dessa onda e demorou muitos anos para se recuperar de lesões nos dois joelhos...
Muitos entendem por exercício físico uma atividade a ser praticada em lugares apropriados, como quadras de esporte, academias de ginástica etc. E muitas vezes só se satisfazem com resultados bastante concretos, como forte transpiração, perda de peso, firmeza muscular. Na prática, porém, esse tipo de satisfação costuma ser efêmero. Quando o exercício não é acompanhado de prazer, muitos desistem no começo e outros tantos a meio caminho andado. Às vezes a pessoa SE MATA de correr, pular e levantar peso, machuca-se e até apanha. Em breve chega à conclusão de que aquilo não é sua praia e volta para a vida sedentária, após ter maltratado inutilmente o organismo.
Não é preciso deslocar-se de casa e passar X horas por semana em academias para exercitar o corpo, a não ser que haja necessidade psicológica de mudar de ambiente. E é fundamental escolher um tipo de atividade que esteja de acordo com a própria personalidade, o grau de vitalidade e que ofereça satisfação emocional. Esporte individual? Coletivo? Yoga? Karatê? Dança de salão? Caminhada? Bicicleta ergométrica em casa? Guerra de travesseiros? Brincar de pega-pega com as crianças? Tudo é válido! Qualquer que seja a modalidade, tem que se permitir ao corpo se adaptar gradualmente.
Quando as crianças eram pequenas, resolvi me inscrever num curso de ginástica, querendo melhorar meu nível de energia. Por sorte conheço meus limites e soube cair fora antes de acabar com a minha coluna. Embora quisesse sair já após as primeiras aulas, forcei-me a ficar, para avaliar melhor a experiência.
As primeiras aulas foram no frio e as últimas no calor estafante. No entanto, os exercícios eram exatamente os mesmos, sem levar em conta as diferenças de estação. Na primeira aula, a professora não me perguntou se eu já estava habituada a fazer ginástica, nem me recomendou que começasse paulatinamente, apenas preocupou-se que eu usasse colant, um shortinho mais comprido ou meia calça. Respondi que tinha ido à aula de short e camiseta de algodão para não atrapalhar a respiração. Ela argumentou que isso era secundário, importante era que ela pudesse ver o trabalho dos músculos sob o colant e que o shortinho cobrisse bem as partes íntimas. Lhe atendi, mas em aula alguma ela fez qualquer comentário sobre o trabalho dos meus músculos, nem me deu qualquer orientação. O ritmo dos exercícios era simplesmente desenfreado, do começo ao fim da aula, os movimentos, sempre rápidos e bruscos. Agora pasme! O relaxamento, no final da aula, consistia em apenas cinquenta polichinelos (aqueles pulinhos abrindo e fechando braços e pernas)...
Conversando com umas colegas de turma mais antigas, soube que o curso era o mesmo havia mais de dez anos e que os exercícios nem as músicas nunca mudavam. As alunas costumavam abarrotar-se de roupas sintéticas, colant de manga comprida, meia calça, polainas - para suar bastante e assim perder peso. Sinceramente, não me lembro de ninguém que saísse de lá com uma aparência realmente saudável... Todas faziam os exercícios como se estivessem cumprindo uma promessa ou quisessem satisfazer a professora. Tentei bater um papo franco com ela, mas não me deu ouvidos, foi ríspida e sentiu-se melindrada em seus brios profissionais.
Sei que hoje existe um melhor controle nas academias, mas naquela época a maioria dos cursos de ginástica estavam nesse nível ou até pior. Procurando alternativas, encontrei os livros da francesa Thérèse Berthérat*, que lançou a Antiginástica, um método preocupado em redescobrir os movimentos naturais do corpo, procurando anular os vícios de postura. Recomendo a leitura, ainda hoje, embora esse método tenha sido muito mal compreendido no Brasil. Eu mesma cheguei a frequentar um curso em São Paulo, onde os exercícios exemplificados nos livros eram simplesmente repetidos de forma mecânica, sem uma reflexão sobre o que se passava com o próprio corpo e perdendo assim o próprio espírito da Antiginástica.
O método Feldenkrais, que nasceu na mesma época, também foi mal compreendido, mas conta hoje com o trabalho exemplar da Kelly Lemos, de quem falei acima. O que me entristece é que, ainda hoje, muitos professores de ginástica e educação física não se preocupam em conhecer métodos que chamam de alternativos e que poderiam alargar seus horizontes e ajudá-los a progredir. É só entrar numa academia e perguntar aos profissionais se conhecem (não vale só por nome, né? rs) Antiginástica, Yoga, Do-in, Feldenkrais etc. Não é incrível que alguém se feche em sua especialização e não inove nada no seu trabalho, ao longo de anos de atividades?...
Pessoalmente, gosto de exercícios que estimulam fortemente o organismo, mas conheço meus limites, especialmente agora que atingi a maturidade. Algumas regras básicas são muitas vezes negligenciadas e podem prejudicar o organismo, por exemplo, a falta de hidratação ou a ingestão de alimentos pesados logo antes da atividade. Essas precauções são importantes, para não sobrecarregar o organismo e facilitar a limpeza interna.
Essa depuração envolve um mecanismo complexo, em que todas as funções orgânicas entram num ritmo mais acelerado: o sangue circula melhor, o coração bate mais depressa, a respiração torna-se mais rápida, todo o organismo gera mais calor, que vai se irradiando do interior do corpo para a superfície, e os poros da pele também começam a transpirar mais ativamente. O organismo vai exigir mais oxigênio e água, não só para repor a que vai perder, mas para cumprir uma função extremamente importante: a desintoxicação. Você, que se liga na expressão detox, hoje tão em voga, precisa entender como isso funciona.
Durante uma atividade física intensa, as toxinas que ficam normalmente depositadas nos tecidos e que vão envenenando aos poucos o organismo, são literalmente empurradas para a circulação do sangue e podem ser eliminadas pelo suor, pela urina etc. Mas, se o processo de desintoxicação for rápido demais, pode ocorrer um colapso durante ou após o exercício. Por que? É que o sangue alimenta o corpo, certo? Então, se ele receber uma enxurrada inesperada de toxinas, os órgãos mais delicados podem pifar, sem mais nem menos... O caldo de toxinas que se forma no sangue durante um exercício físico intenso pode ser diluído e eliminado tomando bastante água pura no decorrer do dia, sempre em pequenos goles. E já que mencionei a expressão detox, também pode tomar um suquinho de frutas ou hortaliças que auxilia a eliminar toxinas.
Já vi pessoas terem um enfarte ou derrame durante ou poucas horas após um jogo de tênis ou uma sessão de ginástica. Muitos problemas podem ser evitados, se conseguirmos captar a mensagem do corpo quando diz: BASTA! E para saber se o esforço está de acordo com as próprias condições físicas, não são necessários testes ou aparelhos. É suficiente movimentar-se de forma consciente, como recomenda o mestre Feldenkrais, e não de forma automática. Principalmente, não se preocupar com eventuais espectadores: o aplauso do público não vale o risco de vida...
A reflexão sobre a necessidade do exercício físico me levou também a perceber que quem costuma praticar atividades mais intensas precisa levar vida duplamente saudável: dormir o suficiente, comer alimentos integrais e de preferência orgânicos, muitas frutas e hortaliças cruas, tomar água e ar puros. Duplamente por que? Ao lançar as toxinas no sangue, o exercício faz com que as trocas sejam mais rápidas. Quem faz exercício, mas se alimenta mal, dorme pouco, bebe muito álcool ou fuma loucamente, vai comprometer sua saúde e envelhecer mais depressa. Lembra do equilíbrio de Entradas & Saídas?
Pausa para descontração: já ouviu aquela piada do cara que viveu de forma regrada e exibe vaidosamente sua saúde, aos 80 anos de idade? Daí ouve-se um barulho no andar de cima e ele comenta: É o meu pai, que chega em casa bêbado toda noite. Paradoxalmente, essa piada poderia explicar o parágrafo acima. Presta bem atenção, pois eu demorei pra entender isso, rs: quando alguém leva uma vida sedentária, o organismo, que é sábio, vai depositando as toxinas aqui e ali nos tecidos, esperando uma oportunidade de lançá-las no sangue e eliminá-las. Mas essas condições poderão tardar a vir, e enquanto isso a vida continua, mesmo aos saltos e barrancos, até quando Deus quiser... Com isso não estou absolutamente justificando o sedentarismo, muito menos os abusos, ao contrário! Apenas quero alertar para o perigo de se fazer muito exercício físico, sem dar ao organismo as condições de eliminar as toxinas e arriscando muitas vezes uma ida desnecessária ao pronto socorro.
Às vezes me pergunto se os treinadores dos atletas, que fiscalizam tanto, e com razão, os hábitos de seus discípulos, visam apenas seu rendimento esportivo, ou se procuram também evitar-lhes problemas de saúde. Nos esportes competitivos, a vitória costuma vir em primeiro lugar, o que é também confirmado pelo grande número de atletas que tomam anabolizantes, sem falar daqueles que deixam de tomá-los apenas se correm o risco de serem pegos em flagrante.
Ah, sobre movimento, o que mais dizer?... Que tal refletir sobre o fato de vivermos num planeta em constante movimento, dentro de um universo em contínua expansão? Isso deve ter provocado espanto na sua mente, durante a infância. Ou não?
* Moshe Feldenkrais - CONSCIÊNCIA PELO MOVIMENTO (há outras citações a respeito do grande Moshe Feldenkrais, em outros capítulos.)
* Meir Schneider - SAÚDE VISUAL POR TODA A VIDA (há outras citações a respeito do grande Meir Schneider, em outros capítulos.)
* Thérèse Berthérat - ANTIGINÁSTICA E CONSCIÊNCIA DE SI
(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)
Entendo que orientar a criança desde cedo para um ou outro esporte pode ser um grave erro. Além de correr o risco de forçar prematuramente um organismo em desenvolvimento, pode-se matar o prazer natural do movimento, condicionando o exercício à competição. Quantos já não abandonaram o esporte por sentir-se desestimulados ou fracassados, e nunca mais se interessaram por qualquer tipo de exercício? Conheci uma garota cuja mãe dizia que ela nadava pra burro, mas que não aguentava mais ver água pela frente.
Acho algumas competições esportivas muito interessantes, mas penso que seria melhor se o esporte, o exercício e outras atividades que estimulam o organismo fossem incorporadas ao dia a dia das pessoas, desde os primeiros anos de vida, como uma real e natural necessidade.
O exercício tem o poder de estimular o metabolismo, acelerar as trocas, melhorar a respiração, o funcionamento da pele, a circulação do sangue, a eliminação de toxinas, a absorção de energia, o humor e tudo o mais. Ou melhor, a falta de exercício é que leva a inexoráveis perdas, pois todos os músculos do organismo precisam e merecem ser utilizados, ao menos de vez em quando.
Não precisamos ser equilibristas ou acrobatas para manter a saúde, mas é verdade que, em geral, as pessoas entram em decadência física antes de completar trinta anos. Ou seja, muitos músculos vão se atrofiando e cansando de carregar o esqueleto, a pele esfria e enfraquece, a circulação do sangue torna-se deficiente etc. Por falta de movimento...
Por outro lado, o exercício físico precisa ser adequado a cada organismo. Uma das vantagens da idade é o número de experiências e vivências que a gente acumula. rs Já vi MUITA gente iniciar um esporte e logo desistir, sentindo-se derrotada. Às vezes o problema é o descaso e a ganância de certos profissionais da área, que prometem milagres com seus cursos de musculação, pilates, lutas orientais etc., sem levar em conta que seus alunos são diferentes em idade, compleição física, vitalidade e saúde.
Alguém se lembra da aeróbica de alto impacto, que infestava milhares de academias no início do século? Ela era inclusive praticada ao ar livre em praias e clubes, envolvendo centenas de pessoas ao mesmo tempo. Quantos joelhos não foram lesionados naquela época, devido à irresponsabilidade geral, por seguir um modismo? E não se tratava apenas de leigos, conheci uma professora de ginástica que foi vítima dessa onda e demorou muitos anos para se recuperar de lesões nos dois joelhos...
Muitos entendem por exercício físico uma atividade a ser praticada em lugares apropriados, como quadras de esporte, academias de ginástica etc. E muitas vezes só se satisfazem com resultados bastante concretos, como forte transpiração, perda de peso, firmeza muscular. Na prática, porém, esse tipo de satisfação costuma ser efêmero. Quando o exercício não é acompanhado de prazer, muitos desistem no começo e outros tantos a meio caminho andado. Às vezes a pessoa SE MATA de correr, pular e levantar peso, machuca-se e até apanha. Em breve chega à conclusão de que aquilo não é sua praia e volta para a vida sedentária, após ter maltratado inutilmente o organismo.
Não é preciso deslocar-se de casa e passar X horas por semana em academias para exercitar o corpo, a não ser que haja necessidade psicológica de mudar de ambiente. E é fundamental escolher um tipo de atividade que esteja de acordo com a própria personalidade, o grau de vitalidade e que ofereça satisfação emocional. Esporte individual? Coletivo? Yoga? Karatê? Dança de salão? Caminhada? Bicicleta ergométrica em casa? Guerra de travesseiros? Brincar de pega-pega com as crianças? Tudo é válido! Qualquer que seja a modalidade, tem que se permitir ao corpo se adaptar gradualmente.
Quando as crianças eram pequenas, resolvi me inscrever num curso de ginástica, querendo melhorar meu nível de energia. Por sorte conheço meus limites e soube cair fora antes de acabar com a minha coluna. Embora quisesse sair já após as primeiras aulas, forcei-me a ficar, para avaliar melhor a experiência.
As primeiras aulas foram no frio e as últimas no calor estafante. No entanto, os exercícios eram exatamente os mesmos, sem levar em conta as diferenças de estação. Na primeira aula, a professora não me perguntou se eu já estava habituada a fazer ginástica, nem me recomendou que começasse paulatinamente, apenas preocupou-se que eu usasse colant, um shortinho mais comprido ou meia calça. Respondi que tinha ido à aula de short e camiseta de algodão para não atrapalhar a respiração. Ela argumentou que isso era secundário, importante era que ela pudesse ver o trabalho dos músculos sob o colant e que o shortinho cobrisse bem as partes íntimas. Lhe atendi, mas em aula alguma ela fez qualquer comentário sobre o trabalho dos meus músculos, nem me deu qualquer orientação. O ritmo dos exercícios era simplesmente desenfreado, do começo ao fim da aula, os movimentos, sempre rápidos e bruscos. Agora pasme! O relaxamento, no final da aula, consistia em apenas cinquenta polichinelos (aqueles pulinhos abrindo e fechando braços e pernas)...
Conversando com umas colegas de turma mais antigas, soube que o curso era o mesmo havia mais de dez anos e que os exercícios nem as músicas nunca mudavam. As alunas costumavam abarrotar-se de roupas sintéticas, colant de manga comprida, meia calça, polainas - para suar bastante e assim perder peso. Sinceramente, não me lembro de ninguém que saísse de lá com uma aparência realmente saudável... Todas faziam os exercícios como se estivessem cumprindo uma promessa ou quisessem satisfazer a professora. Tentei bater um papo franco com ela, mas não me deu ouvidos, foi ríspida e sentiu-se melindrada em seus brios profissionais.
Sei que hoje existe um melhor controle nas academias, mas naquela época a maioria dos cursos de ginástica estavam nesse nível ou até pior. Procurando alternativas, encontrei os livros da francesa Thérèse Berthérat*, que lançou a Antiginástica, um método preocupado em redescobrir os movimentos naturais do corpo, procurando anular os vícios de postura. Recomendo a leitura, ainda hoje, embora esse método tenha sido muito mal compreendido no Brasil. Eu mesma cheguei a frequentar um curso em São Paulo, onde os exercícios exemplificados nos livros eram simplesmente repetidos de forma mecânica, sem uma reflexão sobre o que se passava com o próprio corpo e perdendo assim o próprio espírito da Antiginástica.
O método Feldenkrais, que nasceu na mesma época, também foi mal compreendido, mas conta hoje com o trabalho exemplar da Kelly Lemos, de quem falei acima. O que me entristece é que, ainda hoje, muitos professores de ginástica e educação física não se preocupam em conhecer métodos que chamam de alternativos e que poderiam alargar seus horizontes e ajudá-los a progredir. É só entrar numa academia e perguntar aos profissionais se conhecem (não vale só por nome, né? rs) Antiginástica, Yoga, Do-in, Feldenkrais etc. Não é incrível que alguém se feche em sua especialização e não inove nada no seu trabalho, ao longo de anos de atividades?...
Pessoalmente, gosto de exercícios que estimulam fortemente o organismo, mas conheço meus limites, especialmente agora que atingi a maturidade. Algumas regras básicas são muitas vezes negligenciadas e podem prejudicar o organismo, por exemplo, a falta de hidratação ou a ingestão de alimentos pesados logo antes da atividade. Essas precauções são importantes, para não sobrecarregar o organismo e facilitar a limpeza interna.
Essa depuração envolve um mecanismo complexo, em que todas as funções orgânicas entram num ritmo mais acelerado: o sangue circula melhor, o coração bate mais depressa, a respiração torna-se mais rápida, todo o organismo gera mais calor, que vai se irradiando do interior do corpo para a superfície, e os poros da pele também começam a transpirar mais ativamente. O organismo vai exigir mais oxigênio e água, não só para repor a que vai perder, mas para cumprir uma função extremamente importante: a desintoxicação. Você, que se liga na expressão detox, hoje tão em voga, precisa entender como isso funciona.
Durante uma atividade física intensa, as toxinas que ficam normalmente depositadas nos tecidos e que vão envenenando aos poucos o organismo, são literalmente empurradas para a circulação do sangue e podem ser eliminadas pelo suor, pela urina etc. Mas, se o processo de desintoxicação for rápido demais, pode ocorrer um colapso durante ou após o exercício. Por que? É que o sangue alimenta o corpo, certo? Então, se ele receber uma enxurrada inesperada de toxinas, os órgãos mais delicados podem pifar, sem mais nem menos... O caldo de toxinas que se forma no sangue durante um exercício físico intenso pode ser diluído e eliminado tomando bastante água pura no decorrer do dia, sempre em pequenos goles. E já que mencionei a expressão detox, também pode tomar um suquinho de frutas ou hortaliças que auxilia a eliminar toxinas.
Já vi pessoas terem um enfarte ou derrame durante ou poucas horas após um jogo de tênis ou uma sessão de ginástica. Muitos problemas podem ser evitados, se conseguirmos captar a mensagem do corpo quando diz: BASTA! E para saber se o esforço está de acordo com as próprias condições físicas, não são necessários testes ou aparelhos. É suficiente movimentar-se de forma consciente, como recomenda o mestre Feldenkrais, e não de forma automática. Principalmente, não se preocupar com eventuais espectadores: o aplauso do público não vale o risco de vida...
A reflexão sobre a necessidade do exercício físico me levou também a perceber que quem costuma praticar atividades mais intensas precisa levar vida duplamente saudável: dormir o suficiente, comer alimentos integrais e de preferência orgânicos, muitas frutas e hortaliças cruas, tomar água e ar puros. Duplamente por que? Ao lançar as toxinas no sangue, o exercício faz com que as trocas sejam mais rápidas. Quem faz exercício, mas se alimenta mal, dorme pouco, bebe muito álcool ou fuma loucamente, vai comprometer sua saúde e envelhecer mais depressa. Lembra do equilíbrio de Entradas & Saídas?
Pausa para descontração: já ouviu aquela piada do cara que viveu de forma regrada e exibe vaidosamente sua saúde, aos 80 anos de idade? Daí ouve-se um barulho no andar de cima e ele comenta: É o meu pai, que chega em casa bêbado toda noite. Paradoxalmente, essa piada poderia explicar o parágrafo acima. Presta bem atenção, pois eu demorei pra entender isso, rs: quando alguém leva uma vida sedentária, o organismo, que é sábio, vai depositando as toxinas aqui e ali nos tecidos, esperando uma oportunidade de lançá-las no sangue e eliminá-las. Mas essas condições poderão tardar a vir, e enquanto isso a vida continua, mesmo aos saltos e barrancos, até quando Deus quiser... Com isso não estou absolutamente justificando o sedentarismo, muito menos os abusos, ao contrário! Apenas quero alertar para o perigo de se fazer muito exercício físico, sem dar ao organismo as condições de eliminar as toxinas e arriscando muitas vezes uma ida desnecessária ao pronto socorro.
Às vezes me pergunto se os treinadores dos atletas, que fiscalizam tanto, e com razão, os hábitos de seus discípulos, visam apenas seu rendimento esportivo, ou se procuram também evitar-lhes problemas de saúde. Nos esportes competitivos, a vitória costuma vir em primeiro lugar, o que é também confirmado pelo grande número de atletas que tomam anabolizantes, sem falar daqueles que deixam de tomá-los apenas se correm o risco de serem pegos em flagrante.
Ah, sobre movimento, o que mais dizer?... Que tal refletir sobre o fato de vivermos num planeta em constante movimento, dentro de um universo em contínua expansão? Isso deve ter provocado espanto na sua mente, durante a infância. Ou não?
* Moshe Feldenkrais - CONSCIÊNCIA PELO MOVIMENTO (há outras citações a respeito do grande Moshe Feldenkrais, em outros capítulos.)
* Meir Schneider - SAÚDE VISUAL POR TODA A VIDA (há outras citações a respeito do grande Meir Schneider, em outros capítulos.)
* Thérèse Berthérat - ANTIGINÁSTICA E CONSCIÊNCIA DE SI
(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)

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