A duras penas, aprendi que decifrar as mensagens
do corpo é o primeiro passo para se
apropriar da própria saúde.
O corpo emite mensagens que precisam ser percebidas e respeitadas. Decifrá-las não é difícil, ou melhor, seria fácil se estivéssemos habituados a percebê-las desde crianças. E realmente as crianças as percebem, mas... geralmente seus pais não conhecem esse código e passam por cima dele, até que as mensagens vão se tornando cada vez mais espaçadas... Deixo claro que não estou falando aqui de uma leitura mística ou psicológica das mensagens do corpo, como sugerem vários autores, mas de algo bem palpável e absolutamente individual, que depende principalmente de atenção, intuição e experiência. Coisa de quatro décadas de observação. rs
Mesmo adultos, também temos condições de conhecer e entender esse código. A duras penas, aprendi que decifrar as mensagens do corpo é o primeiro passo para se apropriar da própria saúde.Quando fumava dois maços de cigarros por dia, por exemplo, costumava ficar afônica e cheguei a perder a voz durante uma semana. Foi duro aceitar a mensagem, pois naquela época não havia as mensagens e imagens pavorosas que hoje se imprimem nos maços.
Mesmo adultos, também temos condições de conhecer e entender esse código. A duras penas, aprendi que decifrar as mensagens do corpo é o primeiro passo para se apropriar da própria saúde.Quando fumava dois maços de cigarros por dia, por exemplo, costumava ficar afônica e cheguei a perder a voz durante uma semana. Foi duro aceitar a mensagem, pois naquela época não havia as mensagens e imagens pavorosas que hoje se imprimem nos maços.
Alguns alegam que não sabem detectar as mensagens do corpo, por mais evidentes que sejam. Vamos dar uma vasculhada em nosso dia a dia?
Muitas pessoas acordam de manhã com um gosto estranho, amargo, salgado ou desagradável na boca. Mesmo assim, forçam-se a engolir qualquer coisa para estarem alimentadas, ou tomam café preto para não desmaiarem. Ou então chupam uma bala de hortelã para modificar o paladar. Elas estão passando por cima de preciosas dicas que o corpo lhes dá para aprenderem a cuidar da própria saúde.
O mau gosto na boca pode significar que está havendo um processo de desintoxicação, aliás perfeitamente natural, pois nas primeiras horas da manhã o organismo lança no sangue as toxinas que varreu durante a noite e que precisa eliminar pelas vias normais, ou seja, o rim, o intestino, os pulmões, a pele. Por isso é tão importante fazer exercício físico de manhã. E quando falo de exercício físico não estou mandando ninguém se matar numa academia... rs Este assunto vai ficar para um próximo capítulo chamado Mexer o corpo e a cabeça.
Quando o organismo não consegue se livrar das toxinas dentro de seu próprio ritmo diário, podem ocorrer sensações de mal estar, dores no corpo, língua pesada ou suja, muitas vezes porque as vias de saída estão congestionadas, como vimos no capítulo 17. Entradas & Saídas.
Geralmente, ao acordar as mensagens do corpo são mais fortes. Uma sensação de mal estar pode ser eliminada por uma ducha morna ou fria, que permite expulsar as toxinas acumuladas através da pele.
De manhã, algumas pessoas gostam de tomar água morna com suco de limão, vinagre de maçã com água e mel, ou sucos de frutas para esvaziar a bexiga e os intestinos, o que costuma dar alívio imediato. Outros se espreguiçam, já partem para o exercício físico, enfim, alguma coisa que favoreça a eliminação das toxinas armazenadas durante a noite, estimulando a captação de energia ou modificando a disposição psicológica. O organismo de cada um sugere o que é mais oportuno. Só não vale imitar modelos de forma automática.
Quem não tem apetite de manhã não deveria se forçar a seguir preceitos que consideram o desjejum a mais importante refeição do dia. Importante para quem?...
Parece-me que a refeição mais importante do dia é aquela onde o apetite é mais presente. Precisa-se respeitar as diferenças individuais. Da mesma forma, quem tem apetite de manhã mas não come por falta de tempo precisaria fazer uma verdadeira refeição, embora não pesada, para evitar o risco de beliscar porcarias durante a manhã inteira.
Quando o apetite não aparece na hora do almoço, talvez o organismo ficaria satisfeito apenas com um iogurte ou uma fruta. Melhor do que seguir o cardápio da casa por mero hábito ou vício. O peso no estômago após uma refeição farta e desnecessária é uma mensagem clara do organismo...
Quem sente sinal de cansaço nas primeiras horas da noite, mas teima em ficar acordado até tarde, poderá sentir o efeito no dia seguinte. Idem para quem despenca na frente da televisão, mas permanece todo encolhido ou torto no sofá, acordando só de manhã e com enormes olheiras.
Todo sinal de bem ou mal estar é uma mensagem do organismo que precisa ser decifrada. Alguns exemplos:
De manhã, algumas pessoas gostam de tomar água morna com suco de limão, vinagre de maçã com água e mel, ou sucos de frutas para esvaziar a bexiga e os intestinos, o que costuma dar alívio imediato. Outros se espreguiçam, já partem para o exercício físico, enfim, alguma coisa que favoreça a eliminação das toxinas armazenadas durante a noite, estimulando a captação de energia ou modificando a disposição psicológica. O organismo de cada um sugere o que é mais oportuno. Só não vale imitar modelos de forma automática.
Quem não tem apetite de manhã não deveria se forçar a seguir preceitos que consideram o desjejum a mais importante refeição do dia. Importante para quem?...
Parece-me que a refeição mais importante do dia é aquela onde o apetite é mais presente. Precisa-se respeitar as diferenças individuais. Da mesma forma, quem tem apetite de manhã mas não come por falta de tempo precisaria fazer uma verdadeira refeição, embora não pesada, para evitar o risco de beliscar porcarias durante a manhã inteira.
Quando o apetite não aparece na hora do almoço, talvez o organismo ficaria satisfeito apenas com um iogurte ou uma fruta. Melhor do que seguir o cardápio da casa por mero hábito ou vício. O peso no estômago após uma refeição farta e desnecessária é uma mensagem clara do organismo...
Quem sente sinal de cansaço nas primeiras horas da noite, mas teima em ficar acordado até tarde, poderá sentir o efeito no dia seguinte. Idem para quem despenca na frente da televisão, mas permanece todo encolhido ou torto no sofá, acordando só de manhã e com enormes olheiras.
Todo sinal de bem ou mal estar é uma mensagem do organismo que precisa ser decifrada. Alguns exemplos:
- Roupas ou sapatos incômodos podem atrapalhar a circulação de sangue e de energia.
- Sensação de peso na coluna pode significar falta de tonicidade dos músculos ou postura viciada (como ensina o mestre Moshe Feldenkrais*, não existe boa ou má postura, existem vícios que forçam alguns músculos e deixam outros flácidos...).
- Fraqueza após o banho pode ser efeito da água muito quente, que desvitaliza a pele e o organismo. Nada como esfregar uma toalha com água fria no corpo, após um banho quente...
- Sede em demasia pode indicar desde excesso de sal na alimentação, até indício de açúcar no sangue.
- Já ficou irritado do nada e melhorou após esvaziar o intestino?...
E assim por diante. Cada um de nós poderia aumentar um ou mais pontos a essa lista.
Ficar de olho nas mensagens do corpo reserva surpresas, pois a natureza não dá saltos. Nenhuma doença grave se manifesta sem ter sido precedida por sinais significativos, muitas vezes infelizmente ignorados. Decodificar as mensagens do corpo é um aprendizado que vale a pena tentar, sem porém resvalar na hipocondria. rs
Entre as manias da nossa época está o culto às aparências. A pessoa olha-se atentamente no espelho e depois, com máximo cuidado, procura disfarçar o que não lhe agrada, com maquiagem, plástica, ginástica e desenvolvendo a arte de se vestir. Muitas vezes trata-se de critérios impostos de fora para dentro.
Não quero despencar no abismo da banalidade, ao afirmar que a beleza é um conceito subjetivo, menos ainda que a verdadeira beleza é a interior...
No entanto, como dizia Vinícius, beleza é fundamental. Será possível alguém viver bem sem gostar de si? Mas, geralmente, desde a época da Branca de Neve, procuramos a nossa beleza apenas no espelho. E muitas vezes existe uma dicotomia entre o que o espelho diz e o que a gente sente. Se uma pessoa acorda, sente-se feliz e bem disposta, mas toma uma ducha fria ao olhar-se no espelho, alguma coisa não vai bem no interior dela mesma. Melhor esquecer o espelho durante alguns dias, até perder a noção da imagem refletida e buscar nossa imagem real. Pois é, muito cuidado com maquiagem pesada, à base de química pura, que usei muito durante minha juventude, prejudicando demais minha pele, olhos e cabelos. Para não falar do salto agulha, que bagunçou minha coluna... Enfim, muitas vezes a imagem que vemos no espelho reflete justamente nossa teimosia em fazer questão de camuflar aquilo que entendemos como falha.
Não é fácil libertar-se da tirania imposta pelo império milenar do espelho em nossas culturas, mas vale a pena tentar. O próximo passo é observar as sensações de bem ou mal estar que temos durante o dia. Essas sensações costumam variar das formas mais diversas: se chove ou faz sol, se o trânsito está muito pesado, se ao lado da nossa casa está sendo construído um prédio que inferniza nossa vida com barulho e poeira, se algum alimento não caiu bem.... Se ficarmos atentos e com alguma prática, poderemos encontrar meios de compensação para todas essas sensações.
Quando mudei da Itália para a Alemanha, estranhei a falta de hortaliças e frutas frescas na alimentação diária. O excesso de carnes e batatas me enjoava. Mas era inverno e meu organismo logo se adaptou à nova condição, sentindo até a real necessidade de forrar meu organismo de carboidratos e gorduras, devido à perda de calorias que gastava no frio.
Morei durante um ano numa cidadezinha chamada Spechbach, perdida numa montanha entre dois bosques, que ficava a uns 40 minutos de Heidelberg, uma linda cidade universitária que recebia estudantes do mundo inteiro, por isso era muito alegre e mais animada que a média das cidades alemãs. De manhã, ainda escuro, saía a pé e ia descendo uma longa rua para buscar pão, toda encapotada. O frio ardia em meu rosto e essa reação me dava uma boa sensação de vitalidade. Para mantê-la, eu acelerava o passo, tornando o organismo cada vez mais quente e tendo a sensação gostosa de dominar o frio. Quando chegava à pequena padaria, era a glória! O perfume dos pães recém assados - salgados ou doces, integrais ou brancos, com erva doce, cominho, pimenta, pedacinhos de sal grosso - e o calor do forno me faziam sentir como se estivesse recebendo o maná no deserto. rs Eu relaxava, ficava alguns minutos absorvendo aquele calor gostoso e voltava então para casa, subindo a rua numa marcha rápida e bem marcada. Eu, que até então nunca havia comido nada no desjejum, a não ser frutas ou leite, fazia um verdadeiro banquete, sentindo a necessidade de tomar alimentos sólidos e energéticos como pão, queijo, frios e às vezes até ovos quentes. Depois, pegava o ônibus para a cidade, onde fazia o curso de alemão. Lá havia doceiras quase a cada esquina, com vitrines convidativas que exibiam bolos e tortas já cortados em pedaços, aguardando fregueses como eu... Todo dia eu escolhia uma doceira diferente e saboreava um pedaço de torta. Não vou dizer que não atendi alguns poucos pecados de gula, rs, mas no fundo obedeci a mensagens do meu corpo pedindo um tipo de alimentação mais calórico, por ter de enfrentar um novo clima, ao qual tentava me adaptar.
O valor das mensagens pode ser medido pelas respostas do organismo, quando lhe satisfazemos a vontade. No ano que morei na Alemanha, apesar de passar alguns meses abaixo de zero, não tive sequer um resfriado.O aparente abuso de alimentação obedecia a uma necessidade real e traduzia-se em bem estar.
Alguns anos antes, na Itália, durante a difícil passagem da adolescência, outras mensagens me impeliam a devorar dezenas de pãezinhos, quilos de massas, dúzias de bananas, que eram importadas da África e portanto caríssimas... Tratava-se aí de ingerir alimentos por pura compensação psicológica, pois na realidade eu nunca ficava satisfeita e precisava sempre voltar à geladeira. Sentia ânsia de comer e quase não fazia distinção entre os alimentos. Isso me deixava no fundo muito irritada. Engordei uns quinze quilos, nessa fase dos 12 aos 15 anos, além de desenvolver rinites, amigdalites e erupções na pele.
Meu pai teve a excelente ideia de me inscrever em um curso de atletismo, cujas atividades modificaram totalmente as mensagens que meu corpo emitia até então. A fome foi diminuindo, o que depois pude explicar pela mobilização das gorduras armazenadas. O organismo estava se autonutrindo, utilizando as reservas. A atividade física havia arejado a minha mente e a compulsão do ato de comer tornou-se uma página virada.
Mesmo assim, ainda hoje tenho pequenas recaídas e e mergulho de vez em quando numa maré de sorvete ou num balde de café com chantilly, o que não é motivo de desespero, apenas mostra que sou... humana. rs
Naquela época do curso de atletismo, outras mensagens, muito agradáveis, vieram das sensações do corpo em movimento, geradas pela variedade das modalidades esportivas do atletismo. Não me interessei por nenhum esporte em particular, mas até hoje conservo e cultivo o grande prazer do movimento, um dos principais fatores que garantem a minha saúde.
Refletindo sobre o ano que vivi na Alemanha, hoje eu agiria diferente em alguns pontos, até porque a Alemanha anda se destacando na utilização de tratamentos naturais, incluindo a alimentação. As Reform-Haeuser (casas de produtos naturais) oferecem todo tipo de produto natural e orgânico, inclusive distribuem aos clientes publicações gratuitas que divulgam a medicina natural e a alimentação integral. Com certeza, hoje eu encontraria na Alemanha um cantinho onde saciar minha fome sem precisar abusar de gorduras e açúcar. Por outro lado, seria burrice de minha parte se eu continuasse a me alimentar, no frio intenso, como se estivesse em clima mediterrâneo ou tropical.
Cheguei ao Brasil um ano depois, em pleno verão, saindo do intenso inverno europeu, e tive uma reação muito pior do que quando fui da Itália à Alemanha: meu corpo empipocou inteirinho, numa terrível urticária. Aquilo foi uma reação do organismo, que levou um violento choque climático, após ter armazenado toxinas durante um inverno rigoroso. Foi então que entendi a função da primavera, o período em que o organismo vai aos poucos se preparando para o verão. No caso em que ele é obrigado a emendar o frio intenso ao calor escaldante, o choque provoca uma tentativa de eliminar rapidamente as toxinas, à qual o corpo pode responder de forma drástica. Foi assim que o meu explodiu em urticária, uma reação que eu poderia ter evitado se na época entendesse um pouco mais de saúde... Tive porém ao menos a intuição certeira de suspender temporariamente as carnes e os alimentos gordurosos, o que começou a me trazer alívio.
Já mencionei que fui uma criança muito doente, por isso as mensagens do meu corpo, na infância, pouco me ensinaram. As altas doses de penicilina que tomei durante anos, as repetidas febres e dores de garganta me deixavam muito cansada e cheguei a sofrer de insônia durante alguns anos. Era uma espécie de depressão que eu chamava de melancolia. Minha mãe tentava me confortar de toda maneira, mas havia uma coisa que eu detestava e que toda noite era obrigada a tomar, supostamente para conciliar o sono. Acontece que nunca ajudou, e após tomar aquela beberagem eu ficava acordada mais algumas horas, com um gosto horrível na boca. Imagino sua curiosidade para saber o que era aquele remédio. Pasme! Era chá de camomila, ainda hoje o preferido para acalmar o sistema nervoso. Eu, porém, não suporto nem o cheiro. rs Enfim, cada organismo reage à sua maneira e isso precisa ser respeitado.
Por isso mesmo, quando algum dos meus filhos se recusava a comer ou beber qualquer coisa que eu oferecia, nunca obriguei. Por outro lado, todos eram comilões, portanto, se um não comia abobrinha, mas adorava beterraba, não me preocupava. A base da alimentação eram frutas, verduras, legumes, cereais integrais, nozes e castanhas que na infância é bom moer e oferecer em forma de leite ou misturadas a outros alimentos. Fiz muita questão de respeitar suas escolhas, a fim de não abafar as mensagens do corpo.
Quando eles eram pequenos, não entrava em casa nenhum tipo de carne, mas um dia eles começaram a perceber que a nossa alimentação era diferente daquela dos amigos e do resto da família. Fui fazendo então algumas concessões, a fim de não criar confusão em suas cabeças. Além disso, eu também não nasci vegetariana, por isso não quis interferir naquilo que escolheriam para sua vida adulta. Mas é lógico que passei algumas saias justas, além do mico que já contei, sobre as festinhas infantis onde devoravam dúzias de coxinhas, cachorros quentes e brigadeiros. Um dia, Iara voltou da escola aos sete-oito anos e me passou um sermão sobre as propriedades alimentícias da carne, que haviam sido propaladas na aula de ciências. Assim, de vez em quando eu levava para casa um pacote de salsichas de peru, ou então um frango já assado. E, uma vez por ano (ainda hoje eles brincam sobre isso), havia o dia "do miojo", o dia "do Mac Lanche Feliz" e mais algumas escapadas à rotina habitual.
Assunto polêmico é a reunião da família à hora das refeições. Pessoalmente, acho que precisa ser um acontecimento agradável. Se for, para a criança pequena, uma espécie de castigo, não vejo vantagem. A obrigação de ficar à mesa com outros familiares pode até estragar o apetite. André, por exemplo, tinha muita dificuldade de interromper seus afazeres, que sempre respeitei tanto quanto os meus. Então não me incomodava que ele viesse comer mais tarde. Entendo o prazer de de reunir a família às refeições como uma conquista, não uma imposição.
Sinceramente, posso afirmar que não tive problemas na alimentação dos meus filhos na primeira infância, quando via tantas mães se descabelando com as birras das crianças. Talvez porque nunca encarei a alimentação como problema, mas como componente fundamental da saúde, ou às vezes até como solução. Isto porém não significa que eles sempre comeram tanto quanto quiseram, à qualquer hora do dia. Apenas, se adaptaram aos hábitos domésticos sem graves conflitos, já que procurei evitar imposições. Assim, a hora das refeições em casa costumava transcorrer em harmonia.
Quando meus filhos começaram a comer as primeiras papinhas, eu tinha o maior prazer em prepará-las e não as servia enquanto não satisfizessem o meu paladar. Nunca comprei aqueles potinhos industrializados que lotam as prateleiras dos supermercados. Receitas padronizadas de comida infantil são geralmente insossas e às vezes as mães as servem aos seus bebês sem experimentá-las primeiro. Muitas acham isso normal, pois pensam que a comida do bebê tem que ser diferente daquela dos demais membros da família. Eu penso que a chegada de um bebê é uma boa razão para se fazer uma revisão do cardápio familiar. Sabe por quê? Se um casal não tem o hábito de comer hortaliças, por exemplo, vai apanhar um bocado ao preparar as papinhas do bebê, onde é fundamental uma boa percentagem e variedade de hortaliças, importantes para a saúde não só do bebê, mas de todo ser humano. E quem não gosta ou não sabe lidar com hortaliças vai fazer horrorosas saladas ou insossas papinhas, que não teria coragem de comer...
Quem detesta alguma hortaliça, pode apreciá-la preparada de forma diferente da convencional, ou combinada com outras verduras. No fundo, o segredo das papinhas de bebê está todo nas misturas. Texturas diferentes como de raízes, legumes, verduras, leguminosas e cereais podem formar conjuntos harmoniosos, em que também pesa a mistura das cores, os temperos e a consistência da papinha. Muitas vezes a criança rejeita uma papa por ser rala ou densa demais, assim bastaria dilui-la ou engrossá-la um pouco. Em outros casos falta um pouco de tempero: cebolinha, salsa, aipo, manjericão, hortelã, alecrim, louro, tomilho, orégano... Cada alimento ou tempero possui sabor e propriedades alimentícias e medicinais. Está cheio de publicações com essas informações, nas livrarias e jornaleiros. Eu ainda conservo na minha cabeceira uma coleção antiga e preciosa de livros de Alfons Balbach*, que hoje você só vai encontrar em sebos. Entre em uma livraria e delicie-se com os livros e revistas que vai encontrar sobre o valor dos alimentos!
Pesquisas mostram que, quanto mais variada a cor dos alimentos de uma refeição, tanto maior seu valor alimentício. Fazer uma combinação harmoniosa e apetitosa de cores e sabores é questão de bom senso, sabedoria e arte. Bem, não entendo a arte como coisa sagrada... Ou talvez sim, pensando no caráter sagrado das pequenas coisas que promovem a felicidade e a saúde.
Para apreciar uma boa comidinha, o que o bebê precisa é de... apetite. Às vezes são os horários rígidos e não o sabor das papinhas que atrapalham. Vou relatar mais um caso do meu modelo preferido, o André, embora tenha quase certeza de que ele irá reclamar disso... rs
Aos nove meses de idade, ele passou por uma fase em que tinha pouco apetite e também não se desenvolvia tão bem quanto eu pensava que deveria. Comecei a ficar preocupada: será que ele teria puxado ao meu avô paterno, com quem André se parecia demais, e que media... apenas 1,50 m? A resposta veio 15 anos depois, ao constatar que ele já estava com 1,80 m.
Neura de mãe, conhece isso? Temores, ansiedades, preconceitos, um pacotão de dúvidas que nos afligem desde que desaprendemos a cuidar das nossas crias daquele jeito simples e certeiro que os bichos sabem.
Aos nove meses, a alimentação de André resumia-se a duas papinhas por dia, além de duas porções de leite e um suco de frutas. Eu achava POUCO, e mesmo assim ele quase não comia... Travei uma longa discussão com a pediatra de André (abaixo assinada, rs), que queria me convencer a aumentar o intervalo entre as refeições. No final, resolvi acatar a dica da pediatra e passei a dar apenas uma porção de leite, ao acordar. No mais, um suquinho de frutas no meio da manhã, papinha salgada no almoço, papa de frutas no jantar. Essa mudança foi providencial e operou uma transformação rápida. André recuperou o apetite e se tornou um tourinho.
Entre as neuras de mãe, também colecionei aquela de me sentir culpada por ter tido que desmamar André aos oito meses, devido a uma mastite que poderia ter evitado, pois passei um final de semana na praia e talvez tenha tomado sol demais, ou então... Será que foi por isso que ele havia perdido o apetite?... Neura de mãe, ninguém merece! rs Mas no final, todas essas experiências me foram úteis.
Depois disso, sempre que algum dos meus filhos quis pular uma refeição, preferi esperar até que ficasse com fome. Oferecer algo mais apetitoso confunde a percepção, pois a criança pode estar com alguma dificuldade digestiva, que seria agravada com excesso de alimentação. Às vezes, também, a inapetência pode mostrar que a criança está chocando uma gripe ou resfriado. Como ensinam o mestre Lezaeta* e a maioria dos grandes naturistas, nessas horas o organismo precisa eliminar toxinas, e não ingerir alimentos que podem sobrecarregar o estômago e diluir as energias canalizadas para a cura. Uma coisa que meus filhos pequenos adoravam e que eu sempre oferecia nessas horas, eram comprimidos de levedura de cerveja, que faz a varredura de todas as toxinas do organismo. Pasme! Os gatos de casa sentiam o cheiro e miavam até que ganhavam também uns comprimidos, que ficavam mastigando com enorme prazer. Hoje não tenho mais crianças em casa - snif - mas eu ainda ofereço esses petiscos aos meus três gatos, de vez em quando... rs
Resumindo, procurei interferir o mínimo possível na alimentação dos meus filhos. Quando entraram na tal idade da razão, começaram a proclamar sua independência, mas sempre deixei claro que, da porta de casa para fora, a responsabilidade era deles.
Perceba, portanto, querida leitora ou leitor, que nós adultos detemos o poder dentro de casa e precisamos ter consciência disso. Estou falando de POLÍTICA. Sempre me esforcei para praticá-la de maneira sensata, deixando espaço para que meus filhos também pudessem aprender a decodificar as mensagens do corpo e a andar com os próprios pés. No que errei, só posso pedir desculpas pela ignorância...
Em capítulos anteriores entrei mais nesses detalhes e explico melhor meu jogo de cintura com respeito à alimentação. Sou porém mais radical no que se refere aos medicamentos químicos, que costumo usar apenas em caso de urgências, quando eu também recorro ao hospital. Viva o pronto socorro!
* Alfons Balbach - A FLORA NACIONAL NA MEDICINA DOMÉSTICA - AS HORTALIÇAS NA MEDICINA DOMÉSTICA - AS FRUTAS NA MEDICINA DOMÉSTICA
* Moshe Feldenkrais - CONSCIÊNCIA PELO MOVIMENTO (há outras citações a respeito deste grande autor, em outros capítulos.)
* Manuel Lezaeta Acharán - MEDICINA NATURAL AO ALCANCE DE TODOS (há outras citações a respeito do grande Lezaeta, em outros capítulos.)
(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)
No entanto, como dizia Vinícius, beleza é fundamental. Será possível alguém viver bem sem gostar de si? Mas, geralmente, desde a época da Branca de Neve, procuramos a nossa beleza apenas no espelho. E muitas vezes existe uma dicotomia entre o que o espelho diz e o que a gente sente. Se uma pessoa acorda, sente-se feliz e bem disposta, mas toma uma ducha fria ao olhar-se no espelho, alguma coisa não vai bem no interior dela mesma. Melhor esquecer o espelho durante alguns dias, até perder a noção da imagem refletida e buscar nossa imagem real. Pois é, muito cuidado com maquiagem pesada, à base de química pura, que usei muito durante minha juventude, prejudicando demais minha pele, olhos e cabelos. Para não falar do salto agulha, que bagunçou minha coluna... Enfim, muitas vezes a imagem que vemos no espelho reflete justamente nossa teimosia em fazer questão de camuflar aquilo que entendemos como falha.
Não é fácil libertar-se da tirania imposta pelo império milenar do espelho em nossas culturas, mas vale a pena tentar. O próximo passo é observar as sensações de bem ou mal estar que temos durante o dia. Essas sensações costumam variar das formas mais diversas: se chove ou faz sol, se o trânsito está muito pesado, se ao lado da nossa casa está sendo construído um prédio que inferniza nossa vida com barulho e poeira, se algum alimento não caiu bem.... Se ficarmos atentos e com alguma prática, poderemos encontrar meios de compensação para todas essas sensações.
Quando mudei da Itália para a Alemanha, estranhei a falta de hortaliças e frutas frescas na alimentação diária. O excesso de carnes e batatas me enjoava. Mas era inverno e meu organismo logo se adaptou à nova condição, sentindo até a real necessidade de forrar meu organismo de carboidratos e gorduras, devido à perda de calorias que gastava no frio.
Morei durante um ano numa cidadezinha chamada Spechbach, perdida numa montanha entre dois bosques, que ficava a uns 40 minutos de Heidelberg, uma linda cidade universitária que recebia estudantes do mundo inteiro, por isso era muito alegre e mais animada que a média das cidades alemãs. De manhã, ainda escuro, saía a pé e ia descendo uma longa rua para buscar pão, toda encapotada. O frio ardia em meu rosto e essa reação me dava uma boa sensação de vitalidade. Para mantê-la, eu acelerava o passo, tornando o organismo cada vez mais quente e tendo a sensação gostosa de dominar o frio. Quando chegava à pequena padaria, era a glória! O perfume dos pães recém assados - salgados ou doces, integrais ou brancos, com erva doce, cominho, pimenta, pedacinhos de sal grosso - e o calor do forno me faziam sentir como se estivesse recebendo o maná no deserto. rs Eu relaxava, ficava alguns minutos absorvendo aquele calor gostoso e voltava então para casa, subindo a rua numa marcha rápida e bem marcada. Eu, que até então nunca havia comido nada no desjejum, a não ser frutas ou leite, fazia um verdadeiro banquete, sentindo a necessidade de tomar alimentos sólidos e energéticos como pão, queijo, frios e às vezes até ovos quentes. Depois, pegava o ônibus para a cidade, onde fazia o curso de alemão. Lá havia doceiras quase a cada esquina, com vitrines convidativas que exibiam bolos e tortas já cortados em pedaços, aguardando fregueses como eu... Todo dia eu escolhia uma doceira diferente e saboreava um pedaço de torta. Não vou dizer que não atendi alguns poucos pecados de gula, rs, mas no fundo obedeci a mensagens do meu corpo pedindo um tipo de alimentação mais calórico, por ter de enfrentar um novo clima, ao qual tentava me adaptar.
O valor das mensagens pode ser medido pelas respostas do organismo, quando lhe satisfazemos a vontade. No ano que morei na Alemanha, apesar de passar alguns meses abaixo de zero, não tive sequer um resfriado.O aparente abuso de alimentação obedecia a uma necessidade real e traduzia-se em bem estar.
Alguns anos antes, na Itália, durante a difícil passagem da adolescência, outras mensagens me impeliam a devorar dezenas de pãezinhos, quilos de massas, dúzias de bananas, que eram importadas da África e portanto caríssimas... Tratava-se aí de ingerir alimentos por pura compensação psicológica, pois na realidade eu nunca ficava satisfeita e precisava sempre voltar à geladeira. Sentia ânsia de comer e quase não fazia distinção entre os alimentos. Isso me deixava no fundo muito irritada. Engordei uns quinze quilos, nessa fase dos 12 aos 15 anos, além de desenvolver rinites, amigdalites e erupções na pele.
Meu pai teve a excelente ideia de me inscrever em um curso de atletismo, cujas atividades modificaram totalmente as mensagens que meu corpo emitia até então. A fome foi diminuindo, o que depois pude explicar pela mobilização das gorduras armazenadas. O organismo estava se autonutrindo, utilizando as reservas. A atividade física havia arejado a minha mente e a compulsão do ato de comer tornou-se uma página virada.
Mesmo assim, ainda hoje tenho pequenas recaídas e e mergulho de vez em quando numa maré de sorvete ou num balde de café com chantilly, o que não é motivo de desespero, apenas mostra que sou... humana. rs
Naquela época do curso de atletismo, outras mensagens, muito agradáveis, vieram das sensações do corpo em movimento, geradas pela variedade das modalidades esportivas do atletismo. Não me interessei por nenhum esporte em particular, mas até hoje conservo e cultivo o grande prazer do movimento, um dos principais fatores que garantem a minha saúde.
Refletindo sobre o ano que vivi na Alemanha, hoje eu agiria diferente em alguns pontos, até porque a Alemanha anda se destacando na utilização de tratamentos naturais, incluindo a alimentação. As Reform-Haeuser (casas de produtos naturais) oferecem todo tipo de produto natural e orgânico, inclusive distribuem aos clientes publicações gratuitas que divulgam a medicina natural e a alimentação integral. Com certeza, hoje eu encontraria na Alemanha um cantinho onde saciar minha fome sem precisar abusar de gorduras e açúcar. Por outro lado, seria burrice de minha parte se eu continuasse a me alimentar, no frio intenso, como se estivesse em clima mediterrâneo ou tropical.
Cheguei ao Brasil um ano depois, em pleno verão, saindo do intenso inverno europeu, e tive uma reação muito pior do que quando fui da Itália à Alemanha: meu corpo empipocou inteirinho, numa terrível urticária. Aquilo foi uma reação do organismo, que levou um violento choque climático, após ter armazenado toxinas durante um inverno rigoroso. Foi então que entendi a função da primavera, o período em que o organismo vai aos poucos se preparando para o verão. No caso em que ele é obrigado a emendar o frio intenso ao calor escaldante, o choque provoca uma tentativa de eliminar rapidamente as toxinas, à qual o corpo pode responder de forma drástica. Foi assim que o meu explodiu em urticária, uma reação que eu poderia ter evitado se na época entendesse um pouco mais de saúde... Tive porém ao menos a intuição certeira de suspender temporariamente as carnes e os alimentos gordurosos, o que começou a me trazer alívio.
Já mencionei que fui uma criança muito doente, por isso as mensagens do meu corpo, na infância, pouco me ensinaram. As altas doses de penicilina que tomei durante anos, as repetidas febres e dores de garganta me deixavam muito cansada e cheguei a sofrer de insônia durante alguns anos. Era uma espécie de depressão que eu chamava de melancolia. Minha mãe tentava me confortar de toda maneira, mas havia uma coisa que eu detestava e que toda noite era obrigada a tomar, supostamente para conciliar o sono. Acontece que nunca ajudou, e após tomar aquela beberagem eu ficava acordada mais algumas horas, com um gosto horrível na boca. Imagino sua curiosidade para saber o que era aquele remédio. Pasme! Era chá de camomila, ainda hoje o preferido para acalmar o sistema nervoso. Eu, porém, não suporto nem o cheiro. rs Enfim, cada organismo reage à sua maneira e isso precisa ser respeitado.
Por isso mesmo, quando algum dos meus filhos se recusava a comer ou beber qualquer coisa que eu oferecia, nunca obriguei. Por outro lado, todos eram comilões, portanto, se um não comia abobrinha, mas adorava beterraba, não me preocupava. A base da alimentação eram frutas, verduras, legumes, cereais integrais, nozes e castanhas que na infância é bom moer e oferecer em forma de leite ou misturadas a outros alimentos. Fiz muita questão de respeitar suas escolhas, a fim de não abafar as mensagens do corpo.
Quando eles eram pequenos, não entrava em casa nenhum tipo de carne, mas um dia eles começaram a perceber que a nossa alimentação era diferente daquela dos amigos e do resto da família. Fui fazendo então algumas concessões, a fim de não criar confusão em suas cabeças. Além disso, eu também não nasci vegetariana, por isso não quis interferir naquilo que escolheriam para sua vida adulta. Mas é lógico que passei algumas saias justas, além do mico que já contei, sobre as festinhas infantis onde devoravam dúzias de coxinhas, cachorros quentes e brigadeiros. Um dia, Iara voltou da escola aos sete-oito anos e me passou um sermão sobre as propriedades alimentícias da carne, que haviam sido propaladas na aula de ciências. Assim, de vez em quando eu levava para casa um pacote de salsichas de peru, ou então um frango já assado. E, uma vez por ano (ainda hoje eles brincam sobre isso), havia o dia "do miojo", o dia "do Mac Lanche Feliz" e mais algumas escapadas à rotina habitual.
Assunto polêmico é a reunião da família à hora das refeições. Pessoalmente, acho que precisa ser um acontecimento agradável. Se for, para a criança pequena, uma espécie de castigo, não vejo vantagem. A obrigação de ficar à mesa com outros familiares pode até estragar o apetite. André, por exemplo, tinha muita dificuldade de interromper seus afazeres, que sempre respeitei tanto quanto os meus. Então não me incomodava que ele viesse comer mais tarde. Entendo o prazer de de reunir a família às refeições como uma conquista, não uma imposição.
Sinceramente, posso afirmar que não tive problemas na alimentação dos meus filhos na primeira infância, quando via tantas mães se descabelando com as birras das crianças. Talvez porque nunca encarei a alimentação como problema, mas como componente fundamental da saúde, ou às vezes até como solução. Isto porém não significa que eles sempre comeram tanto quanto quiseram, à qualquer hora do dia. Apenas, se adaptaram aos hábitos domésticos sem graves conflitos, já que procurei evitar imposições. Assim, a hora das refeições em casa costumava transcorrer em harmonia.
Quando meus filhos começaram a comer as primeiras papinhas, eu tinha o maior prazer em prepará-las e não as servia enquanto não satisfizessem o meu paladar. Nunca comprei aqueles potinhos industrializados que lotam as prateleiras dos supermercados. Receitas padronizadas de comida infantil são geralmente insossas e às vezes as mães as servem aos seus bebês sem experimentá-las primeiro. Muitas acham isso normal, pois pensam que a comida do bebê tem que ser diferente daquela dos demais membros da família. Eu penso que a chegada de um bebê é uma boa razão para se fazer uma revisão do cardápio familiar. Sabe por quê? Se um casal não tem o hábito de comer hortaliças, por exemplo, vai apanhar um bocado ao preparar as papinhas do bebê, onde é fundamental uma boa percentagem e variedade de hortaliças, importantes para a saúde não só do bebê, mas de todo ser humano. E quem não gosta ou não sabe lidar com hortaliças vai fazer horrorosas saladas ou insossas papinhas, que não teria coragem de comer...
Quem detesta alguma hortaliça, pode apreciá-la preparada de forma diferente da convencional, ou combinada com outras verduras. No fundo, o segredo das papinhas de bebê está todo nas misturas. Texturas diferentes como de raízes, legumes, verduras, leguminosas e cereais podem formar conjuntos harmoniosos, em que também pesa a mistura das cores, os temperos e a consistência da papinha. Muitas vezes a criança rejeita uma papa por ser rala ou densa demais, assim bastaria dilui-la ou engrossá-la um pouco. Em outros casos falta um pouco de tempero: cebolinha, salsa, aipo, manjericão, hortelã, alecrim, louro, tomilho, orégano... Cada alimento ou tempero possui sabor e propriedades alimentícias e medicinais. Está cheio de publicações com essas informações, nas livrarias e jornaleiros. Eu ainda conservo na minha cabeceira uma coleção antiga e preciosa de livros de Alfons Balbach*, que hoje você só vai encontrar em sebos. Entre em uma livraria e delicie-se com os livros e revistas que vai encontrar sobre o valor dos alimentos!
Pesquisas mostram que, quanto mais variada a cor dos alimentos de uma refeição, tanto maior seu valor alimentício. Fazer uma combinação harmoniosa e apetitosa de cores e sabores é questão de bom senso, sabedoria e arte. Bem, não entendo a arte como coisa sagrada... Ou talvez sim, pensando no caráter sagrado das pequenas coisas que promovem a felicidade e a saúde.
Para apreciar uma boa comidinha, o que o bebê precisa é de... apetite. Às vezes são os horários rígidos e não o sabor das papinhas que atrapalham. Vou relatar mais um caso do meu modelo preferido, o André, embora tenha quase certeza de que ele irá reclamar disso... rs
Aos nove meses de idade, ele passou por uma fase em que tinha pouco apetite e também não se desenvolvia tão bem quanto eu pensava que deveria. Comecei a ficar preocupada: será que ele teria puxado ao meu avô paterno, com quem André se parecia demais, e que media... apenas 1,50 m? A resposta veio 15 anos depois, ao constatar que ele já estava com 1,80 m.
Neura de mãe, conhece isso? Temores, ansiedades, preconceitos, um pacotão de dúvidas que nos afligem desde que desaprendemos a cuidar das nossas crias daquele jeito simples e certeiro que os bichos sabem.
Aos nove meses, a alimentação de André resumia-se a duas papinhas por dia, além de duas porções de leite e um suco de frutas. Eu achava POUCO, e mesmo assim ele quase não comia... Travei uma longa discussão com a pediatra de André (abaixo assinada, rs), que queria me convencer a aumentar o intervalo entre as refeições. No final, resolvi acatar a dica da pediatra e passei a dar apenas uma porção de leite, ao acordar. No mais, um suquinho de frutas no meio da manhã, papinha salgada no almoço, papa de frutas no jantar. Essa mudança foi providencial e operou uma transformação rápida. André recuperou o apetite e se tornou um tourinho.
Entre as neuras de mãe, também colecionei aquela de me sentir culpada por ter tido que desmamar André aos oito meses, devido a uma mastite que poderia ter evitado, pois passei um final de semana na praia e talvez tenha tomado sol demais, ou então... Será que foi por isso que ele havia perdido o apetite?... Neura de mãe, ninguém merece! rs Mas no final, todas essas experiências me foram úteis.
Depois disso, sempre que algum dos meus filhos quis pular uma refeição, preferi esperar até que ficasse com fome. Oferecer algo mais apetitoso confunde a percepção, pois a criança pode estar com alguma dificuldade digestiva, que seria agravada com excesso de alimentação. Às vezes, também, a inapetência pode mostrar que a criança está chocando uma gripe ou resfriado. Como ensinam o mestre Lezaeta* e a maioria dos grandes naturistas, nessas horas o organismo precisa eliminar toxinas, e não ingerir alimentos que podem sobrecarregar o estômago e diluir as energias canalizadas para a cura. Uma coisa que meus filhos pequenos adoravam e que eu sempre oferecia nessas horas, eram comprimidos de levedura de cerveja, que faz a varredura de todas as toxinas do organismo. Pasme! Os gatos de casa sentiam o cheiro e miavam até que ganhavam também uns comprimidos, que ficavam mastigando com enorme prazer. Hoje não tenho mais crianças em casa - snif - mas eu ainda ofereço esses petiscos aos meus três gatos, de vez em quando... rs
Resumindo, procurei interferir o mínimo possível na alimentação dos meus filhos. Quando entraram na tal idade da razão, começaram a proclamar sua independência, mas sempre deixei claro que, da porta de casa para fora, a responsabilidade era deles.
Perceba, portanto, querida leitora ou leitor, que nós adultos detemos o poder dentro de casa e precisamos ter consciência disso. Estou falando de POLÍTICA. Sempre me esforcei para praticá-la de maneira sensata, deixando espaço para que meus filhos também pudessem aprender a decodificar as mensagens do corpo e a andar com os próprios pés. No que errei, só posso pedir desculpas pela ignorância...
Em capítulos anteriores entrei mais nesses detalhes e explico melhor meu jogo de cintura com respeito à alimentação. Sou porém mais radical no que se refere aos medicamentos químicos, que costumo usar apenas em caso de urgências, quando eu também recorro ao hospital. Viva o pronto socorro!
* Alfons Balbach - A FLORA NACIONAL NA MEDICINA DOMÉSTICA - AS HORTALIÇAS NA MEDICINA DOMÉSTICA - AS FRUTAS NA MEDICINA DOMÉSTICA
* Moshe Feldenkrais - CONSCIÊNCIA PELO MOVIMENTO (há outras citações a respeito deste grande autor, em outros capítulos.)
* Manuel Lezaeta Acharán - MEDICINA NATURAL AO ALCANCE DE TODOS (há outras citações a respeito do grande Lezaeta, em outros capítulos.)
(Na dúvida sobre a ordem dos capítulos deste livro, volte para o Índice.)

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